Grávida e com morte cerebral: Caso de Adriana Smith reacende debate sobre leis antiaborto nos EUA

Miguel Jose
2 leitura mínima

Adriana Smith, jovem de 30 anos, declarada com morte cerebral na Geórgia, Estados Unidos, tornou-se o centro de uma polémica que volta a expor os limites das políticas antiaborto naquele país. Mesmo sem qualquer hipótese de recuperação, Adriana continua ligada a aparelhos para manter a gestação até à 22.ª semana, decisão imposta pela legislação estadual.

A família, além de enfrentar a dor da perda, sofre com a ausência de autonomia e os elevados custos hospitalares. A mãe, April Newkirk, expressou a sua frustração:

“O luto nem sequer pode começar. Deveríamos ter tido uma escolha.”

O feto, a quem deram o nome de Hipótese, já foi diagnosticado com hidrocefalia, uma condição grave que pode comprometer a qualidade de vida após o nascimento. Especialistas alertam para os riscos de manter um corpo com morte cerebral em suporte artificial por tanto tempo, incluindo infeções e falência de órgãos.

Cheyenne Varner, fundadora da The Educated Birth, afirma:

“A gravidez é tratada de forma tão tóxica que Adriana não consegue morrer com dignidade, devido à perceção do valor do seu corpo somente como portador.”

O caso despertou indignação nacional e reacendeu discussões sobre os direitos reprodutivos das mulheres, particularmente num país com a maior taxa de mortalidade materna entre as nações desenvolvidas, realidade que atinge desproporcionalmente as mulheres negras.

Texto: Suzana André

Compartilhe este artigo
Sem comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *