O mercado audiovisual brasileiro perdeu uma das suas vozes mais potentes. A cineasta, diretora e produtora Joyce Prado, aos 38 anos, morreu deixando um legado incontornável para a renovação do audiovisual negro no país. Membro do Conselho Superior do Cinema e fundadora da Oxalá Produções, Joyce foi um dos nomes responsáveis por ampliar, fortalecer e transformar a forma como narrativas negras são construídas e valorizadas no Brasil.

Formada em Rádio e TV, ela transformou o seu percurso profissional numa missão: contar histórias enraizadas na memória, na ancestralidade e na complexidade das vivências negras. O seu olhar sensível e político abriu caminhos para uma geração inteira de realizadores, consolidando uma produção que une rigor estético, consciência histórica e força emocional.
Entre os seus trabalhos mais marcantes está o longa “Chico Rei Entre Nós”, obra que ressignifica a trajectória do rei africano escravizado no Brasil e a utiliza como ponto de partida para discutir resistência, trauma e herança cultural. O filme tornou-se referência não apenas pela profundidade narrativa, mas também pela forma como dialoga com debates contemporâneos sobre identidade, reparação e pertencimento.
A partida precoce de Joyce Prado deixa um vazio imenso, mas a sua obra permanece como testemunho da potência criativa e da importância de vozes que insistem em recontar a história a partir de outras perspectivas.


