Ruanda aposta na indústria nacional e proíbe roupa em segunda mão até 2027

Suzana André
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Ruanda deu um passo firme no redesenho da sua política económica ao avançar com a proibição da importação de roupa em segunda mão, com o objetivo de pôr fim definitivo a esta prática até 2027. A decisão representa uma mudança estrutural num país onde, durante anos, o vestuário usado estrangeiro dominou os mercados, oferecendo preços baixos, mas comprometendo o desenvolvimento da produção local.

Ao travar a entrada destas peças, o Governo pretende devolver competitividade aos alfaiates, estilistas e pequenas indústrias têxteis nacionais, historicamente prejudicados pela concorrência externa. A medida é acompanhada por um aumento significativo das taxas sobre a roupa usada ainda permitida, bem como por investimentos estratégicos na indústria têxtil, formação profissional e capacitação da mão de obra.

Mais do que uma questão económica, a iniciativa assume também uma dimensão cultural e identitária, ao incentivar o consumo de produtos feitos no país e a valorização do talento local. A expectativa passa pela criação de empregos, reativação de fábricas e retenção de riqueza no mercado interno, reforçando a autossuficiência nacional.

Ruanda não está sozinha neste caminho. Países como o Burkina Faso já avançaram com proibições totais, enquanto o Gana adotou restrições parciais. No seio da Comunidade da África Oriental, discute-se uma abordagem conjunta para reduzir a dependência de vestuário importado.

Apesar das críticas iniciais, que incluem o aumento do custo da roupa e fricções diplomáticas com países exportadores, as autoridades ruandesas mantêm-se focadas numa visão de longo prazo, apostando numa industrialização sustentável como pilar do crescimento económico.

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