O detalhe que pode salvar vidas: quando o nariz revela mais do que imagina

Suzana André
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A hipertensão continua a ser uma das doenças mais traiçoeiras do nosso tempo. Avança em silêncio, sem avisos claros, e só dá sinais quando o organismo já está sob pressão. É por isso que detalhes, muitas vezes ignorados, podem fazer toda a diferença como um simples sangramento nasal.

Segundo a British Heart Foundation, a maioria das pessoas com tensão arterial elevada não apresenta sintomas evidentes, o que torna essencial medir a pressão com regularidade. No entanto, em situações menos comuns, podem surgir manifestações como dores de cabeça, visão turva e episódios de sangue pelo nariz, sinais que devem merecer atenção, sobretudo quando se repetem.

Embora nem todos os especialistas concordem que o sangramento nasal seja um indicador direto de hipertensão, estudos recentes reforçam essa ligação. Uma investigação publicada em 2020 na JAMA Otolaryngology – Head and Neck Surgery revelou que pessoas com pressão arterial elevada têm quase 50% mais probabilidades de sofrer hemorragias nasais do que quem mantém valores normais.

Enquanto o diagnóstico precoce continua a ser um desafio, a ciência dá agora um passo em frente. Investigadores da University College London desenvolveram um exame inovador, com apenas 10 minutos de duração, capaz de detetar um problema até agora difícil de identificar: a produção excessiva de aldosterona, uma hormona que regula os níveis de sal no organismo e que pode estar na origem de muitos casos de hipertensão.

Este novo teste, descrito no New England Journal of Medicine, permite criar imagens tridimensionais das glândulas suprarrenais e mapear com precisão a atividade hormonal, abrindo caminho para tratamentos mais direcionados e eficazes. Segundo o cardiologista Bryan Williams, trata-se de uma ferramenta há muito aguardada e que poderá transformar como a hipertensão é tratada, sobretudo nos casos mais resistentes.

Ainda em fase de testes, esta inovação representa uma nova esperança para milhões de pessoas. Até lá, a melhor defesa continua a ser simples: vigiar a pressão arterial, adotar hábitos saudáveis e não ignorar os sinais, mesmo os mais discretos porque, por vezes, o corpo fala onde menos se espera.

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