Bacon causa cancro? A ciência responde

Michela Silva
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A pergunta é comum e a resposta exige contexto. A Organização Mundial da Saúde classificou o bacon e outras carnes processadas como carcinogénicas para humanos (Grupo 1). Essa é a mesma categoria de risco atribuída a substâncias como o tabaco e o amianto.

Importante esclarecer: estar no mesmo grupo não significa que o risco seja igual, mas sim que existe evidência científica sólida de que o consumo dessas carnes aumenta o risco de cancro, sobretudo o cancro colorretal.

Durante o processamento e o preparo do bacon, formam-se compostos que podem danificar o DNA e as células do intestino. Entre os principais factores associados estão:

  • Nitratos e nitritos
    Usados como conservantes, podem transformar-se em compostos N-nitrosos (NOCs) no organismo, associados ao aumento do risco de cancro.
  • Altas temperaturas (fritura e grelha)
    Favorecem a formação de aminas heterocíclicas (HCAs) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs), substâncias reconhecidamente cancerígenas.
  • Ferro heme
    Presente nas carnes vermelhas e no bacon, contribui para o estresse oxidativo e potencia a formação de compostos nocivos no intestino.
  • Excesso de sódio
    Carnes curadas são ricas em sal, o que está associado ao aumento do risco de cancro gástrico.

Não é uma questão de pânico, mas de frequência e quantidade. O consumo ocasional é muito diferente do consumo diário. Saúde é equilíbrio, contexto e escolhas conscientes, não extremismo alimentar.

E você: acha que vale a pena reduzir ou não abre mão do bacon?

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