“Quero formar os próximos campeões mundo afora” — campeão de MMA Romário Jaguar fala em exclusivo à Revista Chocolate

Michela Silva
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Determinação, disciplina e ambição definem o percurso de Romário Jaguar, um dos nomes angolanos em destaque nas Artes Marciais Mistas na diáspora. Em entrevista exclusiva à Revista Chocolate, o lutador falou sobre a sua trajectória, conquistas internacionais, desafios fora do país e os planos dentro e fora do octógono.

Romário conta que a ligação com o MMA surgiu por influência directa de colegas que já competiam. “Eles diziam que eu tinha de arriscar porque tinha potencial”, recorda. O incentivo foi decisivo para transformar curiosidade em carreira profissional. O apelido de combate também nasceu na academia: “Escolhi Jaguar por ser um animal lindo e perigoso. Identifico-me com ele porque treino diariamente para ser dominante.”

Embora represente Angola, a sua carreira foi construída em Portugal, enfrentando obstáculos, entre eles a falta de passaporte de serviço, que considera uma limitação na sua caminhada internacional.

Entre as conquistas, o título na maior Liga de MMA do Algarve, em 2023, foi um divisor de águas. Já a vitória por TKO em Copenhaga, em Janeiro de 2026, é descrita como um dos momentos mais fortes da sua carreira. “Foi surreal. Ser africano negro e triunfar naquele lugar é um orgulho maiúsculo.” O atleta revela que fez a maior parte da preparação no Brasil e terminou o acampamento de treino em Lisboa com a sua equipa. “Foi muito investimento e muitas horas de dedicação máxima. O esforço compensa e é tudo por Angola.” A luta aconteceu também no dia do nascimento do seu filho, tornando o feito ainda mais simbólico.

Sobre a preparação para os combates, Romário descreve semanas de treino intenso e foco total. “É algo inexplicável. Todo mundo ao meu redor rende-se a mim, dando muita energia positiva. Os treinos são todos feitos em volta de mim e há muita exaustão física e psicológica.”

Representar Angola no exterior tem um peso emocional especial. “É um sentimento único. Sempre foi um sonho. Quando era pequeno via a selecção de Angola carregar a nossa bandeira e isso enchia-me de vontade de correr pelo mesmo caminho, só não sabia que seria nas lutas.”

Fora do octógono, equilibra a vida de atleta com o empreendedorismo. É microempresário e dedica-se a novos negócios quando não está em treino. Diz que o desporto transformou o seu carácter: “Fez de mim um homem melhor em todos os aspectos. Tenho a responsabilidade de ser melhor todos os dias.”

No futuro, quer continuar ligado à modalidade, mas como formador. “Quero formar os próximos campeões mundo afora, juntamente com o meu foco no empreendedorismo.” Aos jovens lutadores deixa o conselho: disciplina, persistência e confiança no processo.

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