A Organização das Nações Unidas aprovou uma resolução considerada histórica ao reconhecer o tráfico transatlântico de africanos escravizados como um dos crimes mais graves da história da humanidade, num passo simbólico e político com impacto global.
A decisão foi tomada pela Assembleia Geral, reunindo o voto favorável de 123 dos 193 Estados-membros. Entre os países que apoiaram a medida está o Brasil, enquanto os Estados Unidos, Israel e Argentina votaram contra. Outros 52 países optaram pela abstenção, incluindo várias nações da União Europeia e o Reino Unido.

A proposta foi apresentada pelo Gana e destaca que, entre os séculos XV e XIX, cerca de 12,5 milhões de africanos foram capturados e forçados a atravessar o Atlântico, sobretudo para as Américas, num dos períodos mais sombrios da história mundial.
O documento reconhece que esse sistema teve um impacto profundo na formação social, económica e política de vários países, com consequências que continuam a ser sentidas na atualidade, nomeadamente em questões relacionadas com desigualdade, discriminação e memória histórica.

Segundo as autoridades ganesas, a resolução pretende garantir que este capítulo não seja esquecido, ao mesmo tempo que reforça a necessidade de enfrentar os seus efeitos no presente.
A decisão da Organização das Nações Unidas surge como um marco no reconhecimento internacional da gravidade da escravatura transatlântica, contribuindo para o debate global sobre justiça histórica, reparação e valorização da memória coletiva.






