“A minha comunicação é o lubrificante que faz a engrenagem funcionar”: O olhar sofisticado de Lizeth Luís sobre imagem, carreira e vida

Gracieth Issenguele
8 leitura mínima

Determinada, leal e dona de um apurado sentido estético, Lizeth Luís revela-se como uma mulher que equilibra com mestria a exigência do universo diplomático com a sensibilidade do mundo da moda e do lifestyle. Secretária executiva na Embaixada da Hungria, a quarta filha de uma família de oito irmãos carrega consigo valores sólidos, uma história marcada por referências familiares fortes e uma visão clara sobre identidade e propósito. Entre a elegância discreta do seu dia a dia profissional e a paixão por viagens e estilo, Lizeth abre as portas da sua trajectória numa conversa intimista, onde o rigor se cruza com emoção e autenticidade.

RC: O que a motivou a seguir Relações Internacionais e como descreve o seu percurso até à Embaixada da Hungria?

LL: O que me motivou a fazer o Curso de RI primeiro foi a minha paixão por viagens, porque sei que na diplomacia teria oportunidades de conhecer inúmeros países, segundo foi o meu tio, Dr. Correia, o melhor. O percurso até a Embaixada não foi fácil, passei por outros empregos, mas sempre achei que eu queria muito mais e consegui estar aonde realmente pertenço, e quero voar muito mais.

RC: Como é o seu dia a dia enquanto Secretária Executiva num ambiente diplomático?

LL: Corrido, agitado, desafiante, todos os dias aprendo algo novo, com 9 anos de casa já tenho mais experiência, consigo dar conta de tudo, chefe, colegas (risos), é algo que faço com rigor, amor, profissionalismo e eficiência.

RC: De que forma a sua simpatia e facilidade de comunicação contribuem para o seu desempenho profissional?

LL: No meu papel, a simpatia é uma ferramenta de gestão. Como sou o ponto de contacto central, a facilidade de comunicação permite-me desarmar tensões e alinhar interesses de forma rápida, quando trato um colaborador com empatia, estou a facilitar o caminho para que as decisões da Missão diplomática sejam executadas com menos resistência e mais agilidade. A minha comunicação é o lubrificante que faz a engrenagem da Embaixada Funcionar sem ruídos.

RC: Num meio que exige discrição e rigor, como constrói relações sólidas e duradouras?

LL: Mantendo o rigor e o sigilo exigido nas políticas da Embaixada, fazendo o meu trabalho de forma eficaz, e sempre focada nas tarefas que me são atribuídas diariamente.

RC: Crescer numa família numerosa influenciou a mulher que é hoje. Que valores carrega consigo dessa vivência?

LL: Influenciou sim muito, tanto que hoje mantenho esse espírito acolhedor que herdei principalmente da minha mãe [em memória] tenho sempre a casa cheia (risos), porque gosto de reunir amigos e familiares. Os valores que carrego dessa vivencia são: Resiliência, calor humano, partilha, solidariedade, e que fazer o bem e ajudar o próximo salva.

RC: O seu pai é a sua maior referência. Que ensinamentos dele continuam a guiá-la?

LL: Falar do meu herói [em memória], acabo sempre me emocionando, ele foi o melhor pai para nós, dele carrego tantos ensinamentos como: Empatia, sempre ser autêntica, genuína e única, respeito pelas pessoas, a amar os meus irmãos, a união entre nós. Há uma coisa que nunca esqueço, ele sempre dizia que eu gosto de ser chefe e exigia muito de mim, a ajudar as pessoas.

RC: Como concilia a exigência profissional com o papel de mãe de uma adolescente?

LL: NÃO tem sido muito fácil, porque a minha filha também exige muito de mim, assim como o meu trabalho, ela é minha patroa também, ela liga por tudo e às vezes por nada, então da melhor maneira que posso, me esforço para desempenhar os dois papéis com zelo, muita eficiência, rigor e amor pelas duas profissões.

RC: Vive uma fase feliz ao lado do seu noivo. Que importância tem o amor no seu equilíbrio pessoal?

LL: Amor é o outro papel a que tenho me dedicado bem. E o amor dele tem sido uma ferramenta de grande importância e contributo para o meu equilíbrio pessoal, social e profissional, estou a viver uma fase tranquila, equilibrada, graças ao amor e por estar a ser correspondida pelo amor da minha vida.

RC: Sendo uma entusiasta de moda, como define o seu estilo pessoal no dia a dia?

LL: Defino como versátil (tradicional, elegante e romântico), de segunda a quinta-feira é aquele rigor mais clássico diplomático, uma apresentação mais formal, na sexta-feira é um estilo mais romântico, informal, Detalhes delicados, cores suaves e fluidez.

RC: A moda angolana tem ganhado destaque. Como observa esta evolução?

LL: Observo com muito orgulho. A moda angolana deixou de ser apenas tradicional para ser contemporânea e competitiva. Hoje, vemos os nossos tecidos e cortes a desfilar em passarelas internacionais, mantendo a nossa essência, para mim essa evolução reflete o amadurecimento da nossa criatividade e a afirmação da nossa identidade no mercado global, gostaria de frisar nomes de criadores angolanos que fazem um excelente trabalho para a evolução da moda angolana, como Nadir Tati, Soraia da Piedade e a dona da marca regarde-moi-couture, tem o meu respeito.

RC: Entre eventos sociais, trabalho e vida pessoal, como mantém o equilíbrio e o seu bem-estar?

LL: O segredo está na organização que aplico no trabalho, trato a minha vida pessoal e o meu bem-estar com o mesmo rigor que trato a agenda da Embaixada, reservar tempo para mim não é um luxo, é uma necessidade para manter a performance. Aprendi a definir limites claros e a estar a 100% presente em cada momento, num evento social desfruto da conexão, no trabalho foco na entrega. O equilíbrio nasce dessa presença consciente.

RC: Viagens e cinema clássico fazem parte das suas paixões, de que forma influenciam o seu estilo e a sua forma de ver a vida?

LL: Influenciam de forma positiva, viajar ensina-nos que o mundo é vasto e que a flexibilidade é a chave para o sucesso. Essa vivência dá-me uma calma estratégica no trabalho. Sei adaptar-me a qualquer cenário ou cultura. Ahh o cinema clássico, ensina-me sobre profundidade das relações e importância do detalhe. Na minha vida, isto traduz-se numa busca por qualidade em vez de quantidade, seja nas experiências que escolho viver ou nas peças que decido usar.

Compartilhe este artigo
Sem comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *