Angola deu mais um passo decisivo na valorização do seu património cultural ao reforçar o processo de candidatura do Semba a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. A iniciativa, liderada pelo Ministério da Cultura, pretende elevar uma das mais emblemáticas expressões artísticas nacionais ao reconhecimento internacional, consolidando a sua importância como símbolo da identidade e da memória colectiva do país.
O processo contempla a consolidação do dossiê nacional de candidatura, bem como a validação científica e documental do Semba enquanto prática cultural viva, antes da sua submissão final à avaliação dos peritos da UNESCO. Paralelamente, decorrem acções de salvaguarda, inventariação e promoção deste género musical e de dança, envolvendo artistas, investigadores, instituições culturais e autoridades tradicionais.

A apresentação pública das acções em curso foi feita, na passada sexta-feira, pelo ministro da Cultura, Filipe Zau, no Complexo Administrativo Clássicos de Talatona, em Luanda. Na ocasião, o governante destacou a articulação com o Ministério das Relações Exteriores, sublinhando a importância da diplomacia cultural para promover a candidatura junto da comunidade internacional e fortalecer a consistência do processo através do envolvimento de entidades culturais e académicas.
Segundo Filipe Zau, o Semba representa um dos mais importantes elementos da identidade nacional e a sua candidatura integra uma estratégia mais ampla de valorização do património angolano junto da UNESCO. O ministro defendeu ainda a necessidade de apostar no ensino das artes através de uma educação multifacetada, considerando que este modelo contribui para a transmissão de valores estéticos, éticos e de convivência pacífica.
O governante salientou igualmente que a cultura desempenha um papel fundamental na preservação do património artístico e histórico, permitindo a sua promoção internacional com o apoio das missões diplomáticas angolanas no exterior. Filipe Zau recordou que Angola já possui dois bens reconhecidos como Património da Humanidade pela UNESCO: o Centro Histórico de M’Banza Congo, inscrito em 2017 na categoria de património material, e os Desenhos na Areia (Sona), reconhecidos em 2023 como património cultural imaterial.
Além do Semba, Angola possui outros activos estratégicos integrados na lista indicativa da UNESCO, entre os quais se destacam o Corredor do Kwanza, o sítio arqueológico de Tchitundu-Hulu e o património histórico do Cuito Cuanavale.
Para Filipe Zau, a projecção internacional do Semba dependerá também do surgimento de mais artistas capazes de levar esta expressão cultural além-fronteiras, defendendo que a diversidade artística deve ser valorizada e incentivada. O ministro acredita que os maiores ganhos desta classificação serão a preservação do património e a internacionalização da marca cultural angolana, reforçando o reconhecimento e despertando uma maior atenção global.
Por sua vez, o historiador Soky dya Nzenza defendeu um trabalho contínuo e consistente, afirmando que a elevação do Semba a Património Cultural Imaterial da Humanidade será um motivo de orgulho nacional e contribuirá para o reconhecimento mundial de um género profundamente enraizado na identidade angolana.
Mais do que um estilo musical e uma dança, o Semba representa a alma de Angola. A sua candidatura à UNESCO surge, assim, como um compromisso colectivo para garantir que esta herança cultural atravesse gerações e continue a ecoar, com orgulho, nos palcos do mundo.
