A história do Grão Tasco Grão: Onde “encher o prato e a barriga é o ponto de honra de quem serve”

Redacção
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Carlos Roque em parceria com a filha e sócia, Cristina Neves, abriu o Grão Tasco porque queria ter um sítio onde pudesse apreciar a comida portuguesa em Talatona, onde mora, já que a comida da zona não o convencia, sobretudo, porque era quase tudo gourmet. A ideia era contrariar a narrativa de um sítio exclusivo, onde tudo que se vendesse era também exclusivo.

“Queria contrariar isso um bocadinho, até porque a comida gourmet não enche a barriga de ninguém, não é? Aqui no Talatona era quase tudo gourmet. Tudo muito caro, Pratos muito grandes e pedaços de comida muito pequeninos”, queixava-se enquanto conversávamos numa das mesas quase ao meio da esplanada. “E depois há um preço, queríamos um custo-benefício bem na linha”, continuou.

“Eu conhecia absolutamente nada, era zero.
Apenas queria ter um restaurante português, com comida portuguesa, onde se comesse bem, onde as pessoas ficassem felizes, Percebiam-se a alegria. Onde reinasse a boa disposição e tal. E de facto conseguiu-se, Com bons preços”, refere.

Como não conhecia nada do ramo, foi ter com um gerente de um restaurante onde frequentava, e convidou-o para o projecto, aceitou, ficou por um ano, mas confessa ter aprendido bastante com ele.

O processo da implementação do restaurante levou um ano, de tal forma que montar o outro no Zango já foi fácil. Há planos para nascer um outro, mas para já prefere reservar-se.

Desde o Franguinho da guia ao Bacalhau que nunca chega, parece que a missão da tasca é eternizar a cozinha portuguesa em Luanda. O Frango da guia é o prato com mais saída no espaço que acomoda cerca de 100 clientes sentados, mas pode-se comer de tudo um pouco essencialmente comida portuguesa, embora à sexta-feira, de vez em quando, tem um funje ou um mufete. A hora de ponta é do almoço.
” Todos os almoços aqui, o restaurante fica assim, quase sempre cheio”. A nossa conversa decorria numa noite e a esplanada do restaurante estava frenética por conta da assistência de um importante jogo da Liga dos Campeões, como é, aliás, a praxe de lugares afins.

“Eu costumava brincar a dizer que qualquer dia tinha que abrir um Grão de Tasco em Portugal, porque no meio de Lisboa já não se come assim”, diz.
Carlos lamenta que os sítios em Portugal aos poucos escasseiam as iguarias tradicionais, a missão da continuidade é resistida pelas idosas,
“O pessoal novo que sai das escolas de hotelaria, os cozinheiros gostam de inventar e recriar os pratos tradicionais e as pessoas ficam chateadas”.

Carlos orgulha-se da equipa que tem. “Tenho um chefe fantástico, e o pessoal de sala já tem bastante experiência.

A história do Grão

Queria-se que a história do Grão Tasco fosse bastante presente ao convívio dos clientes parceiros e amigos, é flagrante um texto cunhado a estilo medieval na capa do menu do restaurante com o seguinte relato:
É comum o relato, na história das marcas, em que se refere que muitos negócios começaram pela necessidade dos seus criadores acederem a bens e serviços inexistentes no mercado, e que assim criaram os seus, para suprir a sua própria necessidade pessoal.
E este é um pouco o caso do Grão Tasco.
Residentes em Talatona, ou aqui passando uma grande parte do seu tempo, os donos do futuro Grão Tasco, na verdade dois familiares próximos — uma engenheira petrolífera e um designer e comunicador — iam verificando que não existia no município nenhum restaurante que servisse de uma forma simples, autêntica, e a bons preços. O que encontravam eram restaurantes que levavam à letra o estatuto de Talatona como zona VIP, restrita, com uma abordagem da culinária exclusivamente gourmet e com uma subjugação forçada à ditadura do look. Instagram, com preços estratosféricos, num percurso onde ficava bem lá para trás o prazer de comer per se. Ou seja, se era para comer a sério, e não apenas para tirar fotos ao prato e publicar no “Insta”, não havia nada em Talatona.
E assim, com a firme suspeita de que existiriam no município muitos como eles, decidiram criar o seu próprio espaço, com comida a sério.

Foi assim que nasceu o Grão Tasco de Talatona, com base numa das cozinhas em que encher o prato, e a barriga, é ponto de honra de quem serve: a Cozinha Portuguesa. O nome, Grão (de Grande) e Tasco (de Tasca, Taberna) é uma homenagem à eterna convicção popular de que quem come numa tasca nunca será mal servido. Além disso, evoca um dos maiores pintores do país da culinária-base do restaurante, Grão Vasco, do Século XVI — cujo São Pedro, a sua obra mais conhecida, é carinhosamente parodiado como chefe de cozinha no quadro da entrada.
O Grão Tasco, para além de tudo isso, revela-se como o exemplo vivo de que uma culinária de uma determindada região só se impõe globalmente quando é feita, e bem, por pessoas de outras regiões do mundo. Como é o caso.
E pouco mais de um ano após a abertura do primeiro, nasce o Grão Tasco Orient, no espaço luxuoso do Atour Hotel, no compound do gigantesco Centro Comercial Outlets da Via Expressa.

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