A inauguração da exposição “Matéria Escura”, do artista plástico Uólofe Griot, transformou o Camões – Centro Cultural Português num dos principais palcos da arte contemporânea em Luanda. Antes mesmo da abertura oficial, dezenas de visitantes aguardavam à entrada, num ambiente marcado pela expectativa e curiosidade. Artistas, galeristas, estudantes, coleccionadores e apreciadores das artes plásticas encheram a galeria para conhecer o mais recente trabalho de um dos nomes em ascensão da criação artística angolana.

Segundo o Jornal de Angola Online, a inauguração ficou marcada por reencontros, conversas discretas e longos momentos de contemplação diante das obras, confirmando o forte interesse que o percurso de Uólofe Griot tem despertado no panorama artístico nacional e internacional. Ao longo da exposição, o público mergulhou num universo visual onde ancestralidade, afro-futurismo, cosmologia, fantasia e ficção científica dialogam de forma singular, desafiando novas leituras sobre identidade e memória.

Durante a cerimónia de abertura, a directora do Camões – Centro Cultural Português, Tânia Saraiva, destacou a satisfação da instituição em acolher a mostra, sublinhando a evolução artística e a crescente projecção de Uólofe Griot no contexto das artes contemporâneas. A responsável enalteceu ainda a parceria com o Espaço Luanda Arte (ELA), considerando-a essencial para fortalecer a programação cultural da capital e promover o talento de artistas angolanos.

Visivelmente emocionado, Uólofe Griot agradeceu o apoio do público, dos colegas e dos mestres que acompanharam o seu percurso, reconhecendo que esse incentivo continua a alimentar o seu processo criativo. Já o galerista e director do Espaço Luanda Arte, Dominick Maia Tanner, recordou que a relação profissional com o artista começou há cerca de dez anos, aquando da realização da exposição “IDEIA”, a primeira mostra individual de Griot, fruto de uma residência artística na galeria.

Desde então, o artista consolidou uma carreira distinguida por importantes reconhecimentos, entre os quais o Prémio Juventude ENSA Arte, em 2018, e o Grande Prémio de Pintura ENSA Arte, conquistado em 2022. Estes galardões contribuíram para a valorização da sua obra e para a integração das suas criações em relevantes colecções públicas e privadas, dentro e fora de Angola.

Inspirada no conceito cosmológico da matéria escura — a força invisível que sustenta a estrutura do universo —, a exposição estabelece uma metáfora entre o cosmos e a experiência histórica dos povos negros. Reunindo 12 conjuntos de obras, “Matéria Escura” propõe uma reflexão profunda sobre identidade, pertença e futuro, afirmando Uólofe Griot como uma das vozes mais inovadoras da arte contemporânea angolana.