Historiadora Elsa Morais alerta sobre escravatura moderna manifestada através de diferentes formas de violação dos Direitos Humanos

Gracieth Issenguele
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A historiadora Elsa Morais defendeu, sexta-feira, em Luanda, a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre a História da Escravatura e do Tráfico de Escravos, considerando que a compreensão desse passado é essencial para interpretar problemas que continuam a afectar as sociedades africanas na actualidade.

A posição foi apresentada durante a II edição do colóquio “Luanda e o Atlântico Negro: Memórias, Figuras e Heranças da Escravidão”, realizado no Instituto Guimarães Rosa, no âmbito das actividades alusivas ao Dia Internacional da Lembrança do Tráfico de Escravos. Ao abordar o tema “Ensino da História e a Conscientização na Era do Tráfico de Escravos”, a docente alertou para a permanência de práticas de escravatura, actualmente manifestadas através de diferentes formas de violação dos Direitos Humanos.

Para Elsa Morais, apesar da condenação universal da escravatura, algumas dessas práticas continuam a ocorrer de forma clandestina, dificultando a compreensão da verdadeira dimensão do fenómeno. Nesse sentido, defendeu um ensino da História capaz de promover maior consciência sobre as consequências do tráfico e das estruturas de exploração que marcaram gerações.

O colóquio reuniu historiadores e especialistas para reflectir sobre temas ligados às mulheres e ao poder na economia escravocrata, figuras históricas, memória, heranças do tráfico, responsabilidade e reparação. As relações de Luanda com o chamado “Atlântico Negro” estiveram igualmente em destaque, numa abordagem centrada nas ligações históricas entre África, América e Europa.

A directora da Cultura e Turismo do Governo Provincial de Luanda, Gersy Pegado, considerou o encontro uma oportunidade de partilha e reflexão sobre a História, defendendo uma abordagem que permita reconhecer não apenas as marcas do passado, mas também os legados e conquistas das populações africanas. “Quando nos conhecemos, tornamo-nos mais fortes”, afirmou.

Por sua vez, a directora do Instituto Guimarães Rosa, Maria Cristino, destacou a importância do colóquio para compreender o papel de Luanda nas relações históricas entre os continentes africano, americano e europeu. O programa incluiu ainda oficinas de História destinadas a aprofundar o conhecimento sobre a capital angolana e a sua inserção nas redes de circulação do Tráfico Transatlântico de Escravos.

A reflexão ganhou uma dimensão prática com a visita guiada promovida pela Associação Kusanguluka, que percorreu locais de Luanda associados à memória da escravatura. O itinerário teve início na Fortaleza de São Miguel, passou pelo Baleizão e pelo Museu Nacional de Antropologia e terminou no Palácio Dona Ana Joaquina.

Coordenada por Yolena Manuel, a iniciativa procurou aproximar os participantes dos espaços que testemunham diferentes capítulos desse passado, levando o debate para além do ambiente académico. Entre colóquios, oficinas e visitas aos lugares de memória, as iniciativas reforçam a importância de preservar a História e transmiti-la às novas gerações como instrumento de consciência, identidade e compreensão do presente.

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