Com mais de 20 anos de experiência na área da beleza, Ângela Soares encontrou na Terapia Capilar Integrativa uma missão que vai muito além da estética. A terapeuta brasileira, radicada em Angola, tem dedicado a sua carreira à saúde capilar, ao autoconhecimento e à valorização da identidade natural feminina. Em entrevista exclusiva à Revista Chocolate, fala sobre o seu percurso, os desafios profissionais, a realidade dos cuidados capilares em Angola e o sonho de tornar esta abordagem acessível a cada vez mais mulheres.
A chegada de Ângela Soares a Angola aconteceu através de um convite de uma grande amiga, que identificou no país uma oportunidade profissional para si. O que começou como um desafio e uma nova experiência transformou-se numa etapa de grande crescimento pessoal e profissional.

A terapeuta reconhece que o contacto com uma nova realidade, um público diferente e outras experiências ampliou a sua visão e contribuiu significativamente para a profissional que é hoje. É com gratidão que olha para o caminho construído em Angola.
A sua ligação à Terapia Capilar Integrativa, contudo, nasceu muito antes. Foi uma experiência pessoal, marcada pelas dificuldades que enfrentava para compreender e cuidar do próprio cabelo, que despertou a sua curiosidade pela área.

Depois de várias tentativas sem alcançar os resultados desejados, descobriu a terapia capilar e decidiu aprofundar os conhecimentos. O que começou como uma procura por respostas para as suas próprias necessidades acabou por se transformar numa paixão profissional.
Com mais de duas décadas de experiência no sector da beleza, Ângela considera que esta descoberta foi um verdadeiro divisor de águas na sua vida. Mais do que aprender a cuidar de outras mulheres, aprendeu primeiro a cuidar de si.

Para Ângela Soares, a Terapia Capilar Integrativa distingue-se por não se limitar aos fios e ao couro cabeludo. A sua abordagem considera a pessoa na sua totalidade, tendo em conta os aspectos físicos, mentais e espirituais que podem influenciar o bem-estar e a saúde capilar.
A terapeuta destaca a importância do acolhimento, da escuta e do acompanhamento individualizado. Defende que cada pessoa tem necessidades específicas e que uma consulta capilar deve ir além da aplicação de técnicas, produtos ou tecnologias.
Na sua prática, procura também identificar sinais que possam justificar uma avaliação por outros profissionais de saúde, reconhecendo a importância de uma abordagem multidisciplinar.

É precisamente esta visão humanizada que orienta o seu trabalho: compreender a história de cada mulher, conhecer as necessidades do seu cabelo e ajudá-la a fazer escolhas conscientes.
Um dos desafios que mais identifica nas suas consultas é a dificuldade de muitas mulheres em conhecer, compreender e aceitar o próprio cabelo.
Segundo a terapeuta, essa falta de conhecimento leva, por vezes, à realização de procedimentos e transformações motivados pela vontade de alcançar padrões diferentes da própria identidade capilar.
Para Ângela, o primeiro passo para uma relação saudável com o cabelo é o conhecimento. O seu trabalho passa não apenas por tratar, mas também por ensinar cada cliente a compreender as características e necessidades dos seus fios.

Acredita que todas as mulheres devem ter saúde capilar para escolher livremente a forma como desejam usar o cabelo, sem sentirem que precisam de esconder a sua identidade.
Acompanhar o processo de aceitação e perceber como essa transformação influencia positivamente a autoestima, a confiança e o bem-estar emocional é, para si, uma das maiores recompensas da profissão.
Na sua experiência profissional em Angola, Ângela identifica a alopecia por tracção como uma das condições capilares que encontra com maior frequência nas consultas.

Esta forma de queda de cabelo está associada à tensão excessiva e repetitiva exercida sobre os fios, muitas vezes relacionada com tranças, extensões e penteados demasiado apertados.
A terapeuta chama a atenção para um aspecto importante: o problema não está necessariamente no penteado escolhido, mas na forma como é executado e na tensão que exerce sobre o cabelo e o couro cabeludo.
A identificação dos factores que provocam essa agressão é fundamental. Entre os cuidados que considera importantes estão a suspensão ou adaptação dos penteados que causam tensão, a higienização correcta do couro cabeludo, a utilização de produtos adequados e o acompanhamento individualizado.

A mensagem é clara: é possível valorizar a beleza dos penteados sem comprometer a saúde capilar, desde que sejam respeitadas as necessidades do cabelo.
Ao longo dos seus dez anos de percurso no CP Conceito, Ângela Soares enfrentou um dos desafios mais marcantes da sua carreira: reposicionar a sua identidade profissional.
Durante alguns anos, esteve afastada da sua área de actuação directa, assumindo outras responsabilidades, entre elas a gestão do espaço CP Conceito.
O regresso à actividade como terapeuta capilar integrativa aconteceu em 2020. A partir daí, precisou de conquistar um novo reconhecimento junto de pessoas que já a conheciam, mas que ainda não a identificavam profissionalmente nessa área.
Foi um processo que exigiu determinação, investimento na formação e aprofundamento dos conhecimentos. Hoje, considera que essa experiência fortaleceu a sua confiança e consolidou a sua identidade profissional.
Para Ângela, a credibilidade constrói-se através do conhecimento, da segurança e, sobretudo, da consistência do trabalho desenvolvido.
Entre as conquistas de que mais se orgulha está o contributo para que muitas mulheres aprendam a conhecer, aceitar e valorizar o cabelo natural.

Mas os seus objectivos vão mais longe. Um dos grandes sonhos da terapeuta é ampliar o impacto da Terapia Capilar Integrativa e torná-la acessível a mulheres de diferentes realidades.
Nesse caminho surge o Transitar, um projecto dedicado ao acompanhamento de mulheres durante a transição capilar, ajudando-as a compreender as mudanças do cabelo e a desenvolver os cuidados adequados a cada fase.
A intenção é dar continuidade ao projecto, ampliar o seu alcance e incentivar outras mulheres a partilharem as suas experiências, criando uma rede de partilha, aprendizagem e apoio.
Mais do que acompanhar uma transformação capilar, Ângela pretende contribuir para uma transformação na forma como as mulheres se relacionam com a sua própria identidade.
Conciliar a vida pessoal e profissional é outro exercício diário. A terapeuta procura organizar o tempo de forma consciente, reservando espaço para cuidar de si, estudar, produzir conteúdos e desenvolver actividades que promovam o seu bem-estar.

A saúde física, mental e espiritual ocupa um lugar prioritário na sua vida. Acredita que estes três pilares precisam de estar em equilíbrio e procura praticar aquilo que transmite às suas clientes.
A sua filosofia profissional resume-se numa frase que traduz a essência da sua abordagem:
“Não trabalho apenas com cabelos, trabalho com almas.”
É nesta perspectiva que Ângela Soares continua a construir o seu percurso: cuidando de cabelos, mas também de histórias, identidades e autoestima. Para ela, cada mulher merece compreender a sua beleza natural, reconhecer as necessidades do próprio cabelo e sentir-se livre para escolher como deseja expressar-se.
