A jovem actriz Catarina Balça é um dos grandes destaques da série “O Processo”, dirigida por Hélder Filipe e vencedora do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2025. A produção revive um dos capítulos mais sensíveis da história angolana — o Processo dos 50, julgamento político que marcou profundamente a luta pela independência.
Em entrevista à Revista Chocolate, Catarina abriu o coração e revelou bastidores da sua preparação, desafios pessoais e o peso emocional de interpretar personagens ligadas a este marco histórico.

“Foi comovente e especial interpretar uma história que faz parte de nós”
Catarina descreve a sua experiência como uma verdadeira jornada emocional. Para ela, dar vida a um episódio tão marcante foi mais do que um trabalho técnico: foi um mergulho profundo no passado colectivo do país.
“Foi muito comovente e especial para mim interpretar uma história tão sensível que fez parte de nós. Um julgamento político de um grupo de nacionalistas angolanos, com 50 pessoas envolvidas nas prisões iniciais. Senti-me lisonjeada por participar — foi um dos melhores trabalhos que já fiz.”

A actriz revelou que a preparação foi tão desafiadora quanto enriquecedora. Por ser naturalmente tímida, Catarina precisou vencer medos e fortalecer o controlo emocional para estar à altura da narrativa.
“Preparei-me mentalmente em primeiro lugar. Por ser muito tímida e ficar nervosa frente às câmeras, tive que fazer muitos ensaios em casa com ajuda da minha mãe. Quando chegaram os dias das gravações, fiquei tranquila e coloquei na cabeça que não devia olhar para a câmera, mas sim focar no trabalho.”
Filha de Marisa Gonçalves, modelo e fisiculturista de renome nacional e internacional, Catarina reflete com carinho sobre a influência da mãe em sua vida pessoal e profissional.
“Ser filha da minha mãe é uma bênção. É uma mulher cheia de força e coragem, amiga dos filhos. Tal como ela, também terei que ser uma vencedora. A trajetória dela inspira-me e dá-me forças para não desistir.”
Catarina revela que a vocação artística sempre esteve presente. Desde muito cedo, ela descobriu o prazer de estar diante do público.
“Entrei para o mundo artístico com 4 anos, comecei como modelo e fui-me descobrindo cada vez mais. A forma como cresci teve grande influência sim comecei a interessar-me mais e mais.”
Para a actriz, “O Processo” tem um papel crucial na preservação da memória histórica e na formação de uma geração mais consciente.

“Acredito que sim. Espero que o público angolano absorva o trabalho que foi feito durante o Processo dos 50 — a luta, o esforço dos nacionalistas. Tenho a certeza de que a nova geração irá absorver a história de uma maneira positiva.”
Com talento, sensibilidade e uma maturidade artística surpreendente para a sua idade, Catarina Balça consolida-se como uma das vozes emergentes da dramaturgia angolana. A sua interpretação em “O Processo” não apenas emociona, mas também convida o país a revisitar, compreender e honrar a sua própria história.







