A cirurgia robótica tem sido apresentada como uma das grandes esperanças no tratamento do cancro da próstata, e um conjunto crescente de evidências científicas começa a mostrar vantagens reais, tanto em eficácia oncológica quanto em preservação da qualidade de vida.
Um estudo recente, publicado no BMC Cancer, analisou 50 homens com próstata de grande volume (> 100 ml) submetidos a prostatectomia radical robótica entre 2020 e 2023. Os pacientes tinham entre 55 e 77 anos. O trabalho constatou que todas as intervenções foram concluídas sem necessidade de conversão para cirurgia aberta ou ocorrência de complicações graves. A perda sanguínea média foi de apenas 110 ml e a estadia hospitalar média foi de 4,5 dias. A taxa de continência urinária ao fim de um ano ultrapassou 90%. SpringerLink

Uma meta-análise conduzida em 2024 reuniu dezenas de estudos publicados desde 2015 e concluiu que a prostatectomia radical assistida por robô (RARP) supera a laparoscópica no controlo oncológico, apresentando melhores taxas de controlo do PSA e menor risco de recidiva bioquímica.
Num centro de referência na América Latina, um estudo com 1.400 pacientes submetidos à cirurgia robótica mostrou, após 15 anos de prática, uma sobrevivência livre de recidiva de cerca de 68,7% aos 10 anos. A taxa de continência urinária aos dois anos foi de 86,9%, e um número significativo de pacientes manteve função erétil quando a preservação neurovascular completa foi possível. Em 2024, uma revisão sistemática publicada no Irish Journal of Medical Science analisou dados de 2.813 pacientes operados entre 2000 e 2020 e concluiu que a RARP apresenta melhores taxas de continência urinária nos primeiros meses pós-operatórios em comparação com a cirurgia aberta ou laparoscópica, embora os ganhos na função sexual variem conforme a técnica e a preservação nervosa.
Além disso, especialistas em urologia, como o Prof. Luís Campos Pinheiro, do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (CHULC), defendem que a cirurgia robótica reduz complicações, diminui internamentos e garante melhores resultados funcionais, o que tem incentivado a crescente adoção desta técnica em hospitais públicos e privados da Península Ibérica.

Precisão e preservação anatómica: com visão 3D e instrumentos robóticos articulados, a cirurgia permite intervenções mais delicadas e precisas, preservando nervos e tecidos vitais importantes para a continência urinária e a função sexual.
Menos sangramento e recuperação mais rápidos: estudos relatam perdas sanguíneas reduzidas, estadias hospitalares mais curtas e recuperação funcional acelerada.
Eficácia oncológica confirmada: a RARP tem mostrado resultados comparáveis ou superiores à cirurgia aberta e laparoscópica no controlo do cancro, com taxas favoráveis de sobrevivência e de recidiva bioquímica.
Apesar dos muitos resultados positivos, os especialistas alertam para a necessidade de padronização das técnicas e de acompanhamento a longo prazo. Os resultados variam conforme a experiência da equipa cirúrgica, a preservação nervosa e os cuidados pós-operatórios.





