O concerto musical da Orquestra da Força Aérea Nacional (FAN), realizado na sexta-feira, no emblemático Palácio de Ferro, em Luanda, transformou-se num verdadeiro encontro entre arte, história e identidade nacional. A iniciativa integrou as comemorações dos 50 anos da FAN, a assinalar-se no próximo dia 21, rendendo tributo à bravura, ao profissionalismo e ao espírito de missão de homens e mulheres que elevaram o nome da instituição ao longo de cinco décadas.

Sob o lema “FAN 50 anos na defesa do espaço aéreo nacional, preservando as conquistas alcançadas”, o espectáculo contou com a presença do general comandante da Força Aérea Nacional, altas patentes militares, representantes dos diferentes ramos das Forças Armadas Angolanas, da Polícia Nacional, autoridades governamentais e um público diversificado, num ambiente de solenidade e celebração cultural, segundo ao Jornal de Angola.

O primeiro bloco ficou marcado pela interpretação do tema “Prazer do Voo”, apresentado pelo músico Flay, com letra e composição do tenente-general na reforma Cristóvão Júnior, exaltando o amor pelo voo e a coragem de quem domina os céus. Seguiu-se a actuação de Pedro da Fonseca, que deu voz a “Os Meninos do Huambo”, de Rui Mingas, e “Honra e Glória”, também de Cristóvão Júnior, numa homenagem sentida aos heróis da FAN.

No segundo momento, conduzido pelo maestro capitão Miguel António Jacinto, a orquestra percorreu universos sonoros distintos, da clássica “Ave-Maria”, de Franz Schubert, à música angolana com “Angola no Coração”, de Filipe Mukenga, “Uegia Kussocana”, de Lulas da Paixão, e “Amandjange”, de Fernando Pires da Graça “Diabike”, reforçando o diálogo entre tradição, identidade e excelência artística.

O encerramento do concerto trouxe nova emoção com “Nzumbi Dya Papá”, eternizado por Carlos Burity, novamente interpretado por Flay, culminando com uma versão de um tema do Michael Jackson, que levou o público a aplaudir de pé, num final vibrante e simbólico.
À saída do espectáculo, o tenente-coronel Abel António, director da Banda de Música da FAN, sublinhou que o concerto foi também uma afirmação da vertente cultural da instituição, muitas vezes menos conhecida pela sociedade. Já o músico Flay destacou a experiência inédita de cantar com uma orquestra, classificando-a como um marco enriquecedor da sua trajectória artística.
Fundada em 1998, em Luanda, a Banda da Força Aérea Nacional tem desempenhado um papel relevante na valorização da cultura militar e nacional, participando em cerimónias oficiais e espectáculos públicos, dentro e fora do contexto castrense. Cinco décadas depois da criação da FAN, a música revelou-se, mais uma vez, uma poderosa aliada na preservação da memória, da identidade e do orgulho nacional.





