“72 Horas do Livro”: Guiné transforma literatura em palco vivo de identidade e futuro

Gracieth Issenguele
3 leitura mínima

A República da Guiné reafirma o seu compromisso com a promoção da leitura ao acolher a 18.ª edição do festival “72 Horas do Livro”, uma iniciativa que se consolidou como um dos mais emblemáticos símbolos culturais do país. Criado em 2019, o evento tem crescido de forma consistente, expandindo-se para além da capital, Conacri, e envolvendo também a região de Forecariah, numa dinâmica que reforça o seu alcance nacional.

De acordo com a Africanews, o festival decorre até 28 de abril, reunindo escritores, estudantes e apaixonados pela literatura num ambiente vibrante, marcado por debates, apresentações artísticas e iniciativas que celebram o poder transformador dos livros. Mais do que um simples encontro literário, trata-se de uma plataforma cultural em ascensão, que promove o diálogo, a criatividade e a valorização da identidade guineense.

Entre os momentos mais aguardados destaca-se o concurso Miss Literatura, que, ao longo dos últimos quatro anos, se tem afirmado como uma das principais atracções do evento. A competição distingue jovens mulheres não apenas pela estética, mas sobretudo pelo intelecto, criatividade e paixão pela leitura, uma abordagem que reforça o papel da mulher no universo cultural e académico.

Na edição deste ano, a coroa foi atribuída a Aïssatou Kamano, estudante de odontologia que destacou o desejo de incentivar outros jovens a descobrirem o prazer da leitura. Kadidjatou Barry e Mariama Camara ocuparam o segundo e terceiro lugares, respectivamente, evidenciando como a literatura pode influenciar positivamente o desenvolvimento pessoal e académico.

O reconhecimento internacional da Guiné neste domínio não é recente. O país foi distinguido pela UNESCO como Capital Mundial do Livro em 2017 e, desde 2025, integra a Rede de Cidades Criativas da UNESCO na área da Literatura — marcos que reforçam a sua posição no panorama cultural global.

Com uma programação diversificada e inclusiva, o “72 Horas do Livro” confirma-se, assim, como um verdadeiro catalisador cultural, onde a literatura deixa de ser apenas palavra escrita para se transformar numa experiência colectiva, viva e profundamente enraizada na identidade guineense.

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