A Associação Angolana de Teatro (AAT) pretende intensificar, ao longo deste ano, os esforços para alcançar o estatuto de instituição de Utilidade Pública, condição que lhe permitirá beneficiar de dotações financeiras do Orçamento Geral do Estado (OGE) e, consequentemente, fortalecer as suas actividades em prol do teatro nacional.

A informação foi avançada pelo secretário-geral da AAT, Simão Paulino, que sublinhou os avanços registados em 2025, fruto do estreitamento de relações com instituições estratégicas capazes de impulsionar o processo. Entre os contactos realizados, destacou encontros com entidades cuja influência levou a apelos dirigidos ao Ministério da Cultura e à Sétima Comissão da Assembleia Nacional, responsável pelos Assuntos da Comunicação Social, Religiosos, Cultura, Juventude e Desportos.

Segundo Simão Paulino, a obtenção de apoio financeiro do OGE permitirá à associação executar, em melhores condições, tanto as actividades regulares como os projectos anuais de maior visibilidade, entre os quais a Gala Máscara de Ouro do Teatro, a Jornada Nacional do Teatro, o Nação Teatro e o Café Teatro.
Para além do funcionamento e da programação artística, os fundos públicos poderão desempenhar um papel decisivo nas áreas da formação e do intercâmbio institucional. Num contexto globalizado, o responsável defendeu a necessidade de diálogo com organizações congéneres, nacionais e estrangeiras, visando a troca de experiências e o acesso a financiamentos internacionais que, por falta de ligação directa, têm sido de difícil alcance para a AAT.
No domínio da formação, Simão Paulino reconheceu os esforços do Ministério da Cultura na criação de infraestruturas, mas considerou fundamental alargar esse investimento às províncias, através da criação de polos regionais. Apesar de acompanhar iniciativas consideradas positivas, admitiu que o país continua longe do cenário ideal, defendendo igualmente a criação de espaços que permitam aos artistas gerar rendimentos e alcançar estabilidade no sector.
O secretário-geral da AAT apontou ainda que a Faculdade de Artes (FART) e o Complexo das Escolas de Artes (CEARTE), ambos sediados em Luanda, não conseguem responder às necessidades formativas do país, dificultando o acesso de artistas residentes fora da capital. Neste contexto, defendeu a inserção da disciplina de Teatro no sistema de ensino, como forma de valorizar a arte, despertar o interesse das crianças e incentivar o investimento empresarial no sector.
“O teatro é um nicho de mercado que não deve ser ignorado nos esforços de diversificação da economia”, afirmou o actor, sublinhando, contudo, que o seu crescimento depende de investimentos consistentes na formação e na criação de espaços adequados.
Criada em 2014 e com mais de 10 mil membros, a Associação Angolana de Teatro tem desenvolvido diversas iniciativas para unir e valorizar a classe artística. Entre os seus principais projectos destacam-se a Gala Máscara de Ouro do Teatro, a Jornada Nacional do Teatro e o Nação Teatro, todos destinados a reconhecer personalidades que contribuem de forma relevante para a valorização do teatro em Angola.


