O artista angolano Binelde Hyrcan voltou a afirmar o nome de Angola no circuito internacional das artes contemporâneas ao participar recentemente na exposição “MÉMOIRES VOYAGEUSES”, realizada em Basel, na Suíça, sob curadoria de Ines Goldbach. A mostra reuniu criadores de diferentes partes do mundo, entre os quais Raphaël Barontini, Onome Ekeh, Joana Escoval, Mateo Maté, Aline Motta, Sofía Salazar Rosales e Helena Uambembe, numa reflexão artística em torno da memória, deslocação e transformação humana.

Durante a exposição, Binelde Hyrcan apresentou “Cambeck”, obra criada em 2011 que continua a revelar uma impressionante actualidade. Através do vídeo, o artista revisita temas ligados ao sonho, à mobilidade, às desigualdades sociais e à capacidade humana de imaginar futuros possíveis, trazendo para o centro do debate questões que permanecem urgentes no cenário contemporâneo.

A relevância internacional da obra ganha ainda mais força pelo facto de “Cambeck” integrar actualmente a colecção permanente do Brooklyn Museum, um dos mais importantes museus dos Estados Unidos da América, reforçando o reconhecimento global da trajectória artística de Binelde Hyrcan e da arte contemporânea produzida em Angola.
O artista apresentou igualmente “We Are All In”, uma nova interpretação dos seus emblemáticos bidões, submetidos durante seis meses a um processo natural de transformação através da exposição ao sol e à água. O objectivo consistiu em alterar e desconfigurar a cor original do material, criando leituras sobre o tempo, o desgaste, a adaptação e a memória.

Com esta proposta, Binelde Hyrcan estabelece um diálogo profundo entre matéria, território e experiência humana, utilizando elementos naturais universais para provocar reflexão sobre as marcas deixadas pelo tempo e pelas vivências colectivas.

A exposição “MÉMOIRES VOYAGEUSES” propõe precisamente uma análise sobre as memórias pessoais e colectivas que carregamos e sobre como estas influenciam o presente, afirmando a arte como espaço de questionamento, transformação e abertura para novas perspectivas.
A participação de Binelde Hyrcan reforça, uma vez mais, a crescente presença da arte contemporânea angolana no panorama internacional, demonstrando a capacidade dos artistas nacionais em dialogar com temas universais e ocupar lugares de destaque nas mais prestigiadas plataformas culturais do mundo.
