A ENSA Seguros de Angola voltou a afirmar-se como um dos maiores impulsionadores da cultura nacional ao realizar a cerimónia de outorga da XVIII edição do Prémio ENSA-ARTE, um marco incontornável no panorama artístico angolano. O evento, que decorreu no Hotel Intercontinental, na quarta-feira, reuniu artistas, convidados institucionais e figuras de destaque dos sectores cultural e empresarial, num ambiente marcado pela celebração da criatividade, inovação e identidade artística.


Nesta edição, os Grandes Prémios ENSA-ARTE 2026 distinguiram nomes que se destacaram pela profundidade conceptual e excelência técnica das suas obras. Na pintura, Adriano João Gaspar conquistou o primeiro lugar com Mujikulu, seguido por Maiomona Vua com O Legado Cultural de uma Nação. Já na escultura, Maiomona Vua voltou a brilhar ao arrecadar o primeiro prémio com Bocas Abertas, Protestos Sobre a Fome, enquanto Bernabé Alfredo garantiu o segundo lugar com O Futuro.

A pluralidade artística foi igualmente reconhecida com o Prémio Alliance Française atribuído a Dionísio António pela obra Espelho das Opiniões, que inclui uma viagem de intercâmbio cultural a França. O mesmo artista venceu ainda na categoria Juventude – Pintura com Mother of the World, enquanto Aurélio Nivas foi distinguido em Juventude – Escultura com Hungu. As menções honrosas foram atribuídas a Wilson Oliveira, por Pedaços da Minha Cidade, e a Paulo Mayoca Simão, com O que se Aprende Antes de se Entender.

Uma das grandes novidades desta edição foi a introdução da categoria de Performance Artística, evidenciando a abertura do prémio às linguagens contemporâneas. O galardão foi atribuído a Domingos Miguel “Mussunda” com CurruloCurrulo, numa clara aposta na intersecção entre teatro, música, dança e artes plásticas.
Com prémios monetários que atingem os 6 milhões de kwanzas para os primeiros classificados e 3,5 milhões para os segundos, o ENSA-ARTE continua a valorizar de forma concreta o talento nacional. A cerimónia foi enriquecida por momentos culturais, incluindo a actuação do Grupo Henriques Artes, que homenageou os 35 anos do projecto com uma composição original, e pela inauguração de uma exposição colectiva das obras seleccionadas, proporcionando ao público uma experiência imersiva.

Em declarações à imprensa, o Presidente da Comissão Executiva da ENSA, Eng.º Mário Mota Lemos, sublinhou a importância do prémio enquanto plataforma de promoção artística: trata-se de uma iniciativa que, há mais de três décadas, reúne criadores de diferentes gerações e estilos, unidos pela missão de expressar a identidade angolana através da arte.
Entre os grandes protagonistas da noite, Maiomona Vua destacou-se ao arrecadar dois prémios, somando cerca de 9,5 milhões de kwanzas. Com mais de 26 anos dedicados às artes plásticas, o artista revelou que a sua obra premiada nasce de uma inquietação social profunda. “Fala sobre o protesto contra a fome. Inspira-se na realidade das famílias que, muitas vezes, não têm o básico para alimentar os seus filhos”, afirmou, sublinhando a relevância do tema no contexto angolano e africano.

Motivado pelo reconhecimento, o artista reforça a ambição de levar o seu trabalho além-fronteiras. “Continuarei a trabalhar e a expor, não só a nível nacional, mas também internacional. É o sonho de qualquer artista ver as suas obras em outros horizontes”, declarou, apontando países como Portugal, Brasil e África do Sul como possíveis destinos futuros.
No ano em que celebra 48 anos de existência, a ENSA reafirma, com esta iniciativa, o seu compromisso com o desenvolvimento cultural do país. Mais do que um concurso, o ENSA-ARTE consolida-se como uma plataforma de projecção da arte angolana, dando voz a criadores que transformam inquietações sociais, identidades e sonhos em obras que atravessam fronteiras.















