“Meu Primeiro Dia no Inferno”: literatura angolana ganha manifesto provocador e contemporâneo

Gracieth Issenguele
3 leitura mínima

Foi lançado no último domingo, na Ilha de Luanda, no espaço Goz’Aqui Comedy Club, o livro “Meu Primeiro Dia no Inferno”, da autoria do casal de artistas Yadhiro Barrosoe Zoé Kifembe. A obra surge como um romance que ultrapassa os limites da ficção tradicional, assumindo-se como um verdadeiro manifesto literário, marcado por uma forte componente de reflexão e posicionamento crítico sobre a realidade contemporânea.

Segundo Yadhiro Barroso, o livro foi concebido ao longo de cinco anos e pensado como um instrumento capaz de entreter, mas também de provocar consciência no leitor. A apresentação da obra, que será conduzida pela escritora Domingas Monte, promete ser um momento de partilha e celebração da literatura, reforçando o carácter intimista e reflexivo que define o projecto, em declaração ao JA Online.

O evento contou com uma programação cultural diversificada, sob condução do Génio das Ruas como mestre de cerimónias, e com actuações do humorista Tiago Costa, da cantora Edna Ernesto, do poeta Esmeraldo Baptista e do freestyler Abdélvio. A proposta é criar uma experiência artística multidisciplinar, alinhada com o espírito inovador dos autores.

Yadhiro Barroso e Zoé Kifembe destacam-se como uma dupla criativa que atravessa diferentes linguagens artísticas, da literatura à performance e à produção cultural. Com trajectórias sólidas, representam uma nova geração de agentes culturais angolanos que transformam a palavra em ferramenta de intervenção social. Yadhiro, com mais de duas décadas de percurso, afirmou-se no universo do rap como ghostwriter e produtor cultural, sendo fundador da M-Arte Angola, produtora distinguida pelos Prémios Dipanda e pelos Prémios Jovens do Musseke.

Já Zoé Kifembe, poetisa e declamadora premiada como “Poeta do Ano” em 2022, é amplamente reconhecida pela intensidade da sua escrita e presença em palco, consolidando-se como uma das vozes mais influentes da poesia urbana em Angola. Juntos, criaram o movimento “Orgasmo Literário”, que revolucionou a cena da poesia falada em Luanda, atraindo multidões e revelando novos talentos.

Actualmente residentes nos Estados Unidos, o casal continua a desenvolver uma linguagem artística própria, onde estética, crítica social e espiritualidade se cruzam. “Meu Primeiro Dia no Inferno” reforça esse posicionamento, apresentando-se como uma obra com potencial de projecção internacional e mais um contributo significativo para a afirmação da literatura angolana no mundo.

Compartilhe este artigo
Sem comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *