Muzonguê da Tradição reafirma o semba como património vivo da cultura angolana

Gracieth Issenguele
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O Centro Cultural e Recreativo Kilamba voltou a afirmar-se como um dos principais palcos de preservação do semba de raiz, durante mais uma edição do Muzonguê da Tradição, realizada no domingo, em Luanda. Na ocasião, o instrumentista Horácio Dá Mesquita considerou o espaço como o último reduto da essência da música angolana, destacando o papel da Orquestra Jovens do Prenda na valorização e continuidade deste legado cultural.

Ao lado dos artistas Legalize, Dom Caetano, Karina Santos e Tony do Fumo Júnior, Horácio Dá Mesquita proporcionou uma viagem pela riqueza sonora do semba, interpretando, ao acordeão, sucessos imortalizados por Minguito. O músico, que regressou ao palco do Centro Cultural e Recreativo Kilamba 14 anos depois, defendeu a necessidade de aprofundar os estudos sobre o género, sobretudo numa altura em que Angola reforça a candidatura do semba a Património Cultural Imaterial da Humanidade.

A Orquestra Jovens do Prenda abriu a jornada com temas instrumentais como “Manhã de domingo”, “Ilha Virgem” e “Corridinho”, acompanhando ainda as actuações dos convidados. Tony do Fumo Júnior homenageou o legado do pai com interpretações de “Kikola” e “Lamento de Mãe”, enquanto Legalize recordou clássicos de Urbano de Castro e Óscar Neves. Dom Caetano levou ao palco sucessos como “Som Angolano” e “Vizinho”, e Karina Santos encerrou a noite com interpretações de “Que Moço é Esse”, “Sangue Bom”, “Chocolate” e da sua versão de “Ngande Nzoji”.

Mais do que um espectáculo, o Muzonguê da Tradição voltou a celebrar a memória do semba, reunindo amantes da música angolana, turistas e apreciadores da cultura nacional. A iniciativa continua a homenagear figuras históricas do género, aliando música ao vivo e gastronomia tradicional, reforçando o compromisso com a preservação de um dos maiores símbolos da identidade cultural de Angola.

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