Relooted: o videojogo africano que transforma a restituição cultural numa missão

Suzana André
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E se a recuperação de património saqueado durante o colonialismo fosse o centro de um videojogo? É essa a premissa de Relooted, novo título desenvolvido pelo estúdio africano Nyamakop, que coloca os jogadores no comando de uma equipa pan-africana especializada em resgatar artefactos históricos mantidos em museus e coleções privadas no Ocidente.

Num universo de inspiração afro futurista, o jogo imagina um cenário em que acordos internacionais para devolução de peças culturais foram travados por instituições que se recusam a abdicar desses bens. Perante esse bloqueio, os protagonistas avançam com missões estratégicas de infiltração, parkour, “hacking” e planeamento tático, visando recuperar cerca de 70 artefactos reais.

Mais do que ação, Relooted aposta numa narrativa centrada em memória, identidade e justiça histórica. Entre os objetos retratados surgem peças emblemáticas como a Máscara de Ouro Asante, levada durante a invasão britânica ao Reino Ashanti no século XIX, ou o crânio pré-histórico de Kabwe, conservado no Reino Unido desde 1921. Cada elemento é contextualizado, transformando o jogo numa experiência que combina entretenimento com reflexão histórica.

Disponível para PC e Xbox Series X/S, o projeto tem sido apontado como um dos mais politicamente relevantes da indústria recente. Ao inverter a lógica tradicional, Relooted coloca no centro da narrativa quem reclama o que lhe pertence, dando protagonismo à restituição cultural num formato inovador e contemporâneo.

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