A peça “Vidas de Pedra”, da artista luso-angolana Bibiana Figueiredo, marcou o encerramento do Festival Internacional de Teatro e Artes de Luanda, no passado domingo, no histórico Elinga Teatro, deixando ao público uma profunda mensagem sobre memória, sobrevivência e a força das mulheres perante as adversidades da história.
Apresentada em formato de performance a solo, a obra inspira-se na história real da avó da artista, cuja vida foi marcada pela violência colonial e pela exploração do corpo feminino como instrumento de poder e domínio. Por meio de uma narrativa intimista e simbólica, o espectáculo propõe uma ressignificação das memórias do passado, devolvendo-lhes dignidade e liberdade, ao mesmo tempo que convida à reflexão sobre temas como a guerra, a desigualdade social, a autoridade e a condição da mulher.

Com uma estética que cruza elementos poéticos, cinematográficos e performativos, “Vidas de Pedra” utiliza o movimento e a música como veículos de empatia, dor, sonho e esperança. Segundo Bibiana Figueiredo, as pedras que dão nome à peça representam os processos de aprendizagem e os desafios que moldam a existência humana. Já os blocos utilizados em cena remetem para um dos maiores sonhos da sua avó: construir a própria casa, símbolo de conquista, estabilidade e dignidade.

A artista destacou ainda a importância do FITAL enquanto espaço de intercâmbio cultural e artístico, sublinhando a oportunidade de partilha entre criadores de diferentes áreas e proveniências. Para Bibiana, a arte continua a ser uma ponte de ligação entre povos e culturas, apesar dos desafios enfrentados por um sector que considera ainda pouco valorizado e necessitado de maior apoio institucional.

Por sua vez, a directora-adjunta do Elinga Teatro, Anacleta Pereira, fez um balanço positivo desta edição do festival, destacando o forte envolvimento dos participantes e a crescente presença de uma nova geração de artistas. Segundo a responsável, o FITAL voltou a cumprir a sua missão de promover o diálogo entre diferentes expressões artísticas, reforçando o intercâmbio de experiências e contribuindo para o fortalecimento do panorama cultural angolano.


