Dormir 8 horas no horário errado pode não ser suficiente, alerta a endocrinologista Andrea Escobar

Michela Silva
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Segundo a doutora brasileira Andrea Escobar, profissional que actua nas áreas de endocrinologia e medicina funcional, o desalinhamento do relógio biológico pode influenciar o metabolismo, a regulação hormonal e a qualidade do sono.

Dormir oito horas por noite é frequentemente associado a um descanso adequado. No entanto, a duração do sono não é o único factor importante: o horário em que se dorme e a sua compatibilidade com o ritmo circadiano do organismo também desempenham um papel fundamental na saúde.

Segundo a doutora Andrea Escobar, que actua em endocrinologia e medicina funcional, o ritmo circadiano é um sistema biológico que regula diferentes funções do organismo em sintonia com o ciclo natural de luz e escuridão. Quando este sistema fica desalinhado, podem ocorrer alterações nos padrões de sono e em processos relacionados com o metabolismo e a regulação hormonal.

A melatonina, conhecida como a hormona do sono, é produzida principalmente à noite e tem a sua libertação influenciada pela exposição à luz. A utilização prolongada de dispositivos electrónicos e a exposição à iluminação artificial durante a noite podem atrasar ou suprimir a sua produção, dificultando a preparação do organismo para dormir.

Um estudo científico disponibilizado na plataforma PubMed, ligada aos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), é referido como evidência de que pessoas com horários de sono tardios podem apresentar um atraso no pico de melatonina, mesmo quando acordam à mesma hora e recebem luz pela manhã.

Este fenómeno sugere que acordar cedo e ter contacto com a luz natural nem sempre é suficiente para corrigir imediatamente um relógio biológico desalinhado.

A exposição à luz artificial nas horas que antecedem o sono é um dos factores que podem interferir com o ritmo circadiano. A intensidade da luz, a sua composição e o horário da exposição influenciam a resposta biológica do organismo.

Por isso, reduzir a iluminação à noite, limitar o uso de ecrãs antes de dormir, manter horários regulares e procurar exposição à luz natural durante a manhã são medidas que podem contribuir para uma melhor organização do ciclo sono-vigília.

Acordar frequentemente cansado, apresentar alterações de humor ou sentir dificuldades na gestão do peso são sinais que merecem atenção. A qualidade do sono pode estar relacionada com estes sintomas, embora existam várias outras causas possíveis.

Alterações da libido e queda de cabelo também podem estar associadas a diferentes factores, incluindo questões hormonais, nutricionais ou outras condições clínicas. Por isso, estes sintomas não devem ser atribuídos exclusivamente ao horário de dormir.

A avaliação individual é importante para identificar a origem do problema e determinar se existe alguma alteração do sono ou outra condição que necessite de acompanhamento médico.

Dormir oito horas continua a ser importante para a maioria dos adultos, mas um horário consistente, a exposição adequada à luz natural e a redução da luz artificial durante a noite podem ajudar a melhorar o descanso.

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