Muito mais do que a apresentação de uma nova colecção, a marca Rose Palhares proporcionou uma experiência sensorial e emocional que celebrou a força da mulher africana, a ancestralidade bantu e o autocuidado. Realizado no passado dia 31 de maio, na Fazenda Portal Verde, o evento “E Se Vénus Fosse Bantu?” reuniu um grupo selecto de mulheres para um dia inteiramente dedicado à moda, saúde, bem-estar, reflexão e conexão com as raízes culturais africanas.

A recepção das convidadas foi marcada por um ritual simbólico de intenção. Antes mesmo do início das actividades, as participantes descalçaram-se, colocaram os pés no sal e lavaram as mãos, num gesto de purificação e libertação de energias, preparando-se para viver a experiência de forma consciente. A estilista Rose Palhares recebeu pessoalmente cada uma das presentes, criando desde o primeiro momento um ambiente de acolhimento e proximidade.
A programação começou na Capela da Fazenda Portal Verde, onde a Dra. Noelma Viegas de Abreu e Mell Chaves conduziram uma palestra centrada na importância do autocuidado como uma necessidade estratégica na vida da mulher contemporânea. Num ambiente intimista, marcado por relatos de superação e partilhas genuínas, as participantes foram convidadas a refletir sobre a importância de cuidarem de si próprias sem culpa ou limitações.

Um dos momentos mais emocionantes do encontro aconteceu logo depois, quando cada mulher tocou o sino da capela e fez um pedido em silêncio. O gesto simbólico representou novos ciclos, recomeços e a renovação de sonhos pessoais, criando uma atmosfera de profunda introspeção e esperança.
O bem-estar continuou a ser o foco das actividades seguintes. A Dra. Georgia Lorenzi e Ana Fernandes conduziram uma sessão dedicada à saúde, estética e equilíbrio emocional, abordando a importância da presença consciente e do autocuidado. Durante o encontro, Georgia Lorenzi reforçou a necessidade de colocar o bem-estar como prioridade, enquanto Ana Fernandes apresentou a técnica de EFT Tapping, método que promove a libertação emocional através da estimulação de pontos específicos do corpo.

O almoço, servido ao ar livre e em plena ligação com a natureza, proporcionou momentos de descontração e networking entre as participantes. Entre conversas inspiradoras e trocas de experiências, as convidadas celebraram o conhecimento, a amizade e a partilha, acompanhadas por um ambiente sofisticado e acolhedor.
Foi durante a tarde que Rose Palhares revelou a essência do conceito que deu origem à coleção. Com grande emoção, a estilista explicou que o processo criativo nasceu de uma investigação pessoal sobre o antigo Kemet, actual Egipto, e da descoberta das influências africanas presentes em muitas referências estéticas mundialmente reconhecidas.

Segundo a criadora, ao analisar cortes, ornamentos e elementos associados à representação da feminilidade, surgiu uma questão inevitável: “E se Vénus fosse Bantu?”. A partir desta reflexão nasceu uma coleção que procura resgatar e valorizar a contribuição africana para os padrões de beleza e elegância frequentemente atribuídos a outras culturas.
A narrativa foi reforçada através da exibição de um vídeo conceptual que acompanhava a jornada de uma jovem transportada simbolicamente às suas origens após tocar numa estátua de aparência bantu. A obra visual emocionou as presentes e serviu como complemento perfeito à mensagem da colecção.

Raypher, co-designer da marca, destacou que toda a investigação realizada aponta para uma forte ligação entre os elementos tradicionalmente associados à figura de Vénus e a cultura bantu. Para a equipa criativa, a colecção é uma afirmação da riqueza estética e histórica africana, frequentemente subvalorizada ao longo dos séculos.
Ao final da tarde, o pôr do sol serviu de cenário para momentos de contemplação, brindes e testemunhos emocionantes. Entre as várias intervenções, destacou-se a de Nádia Silva, que afirmou: “A Rose tem o dom da cura e nem sabe”, numa demonstração do impacto positivo que o evento teve junto das participantes.

O ponto alto da noite chegou com o aguardado desfile da coleção “E Se Vénus Fosse Bantu?”, integrado num elegante jantar de gala assinado pelo renomado chef Helt Araújo e acompanhado pela atuação de uma orquestra ao vivo. A proposta revelou peças sofisticadas, marcadas por detalhes africanos e por uma estética profundamente feminina, que conciliam elegância, sensualidade, autoestima e identidade cultural.
Os tecidos de elevada qualidade e os tons pastel dominaram a passerelle, demonstrando que a africanidade pode ser expressa de forma contemporânea, refinada e inovadora. O cenário cuidadosamente concebido, com velas, tecidos e estruturas metálicas inspiradas no universo de Vénus, contribuiu para tornar a experiência ainda mais envolvente.

A reação das convidadas foi de admiração e emoção. Muitas encontraram nas peças apresentadas um reflexo da mulher moderna: forte, elegante, profissional, confiante e orgulhosa das suas origens. O desfile encerrou uma jornada marcada por descobertas, conexões e celebração da identidade feminina africana.
No final, Rose Palhares agradeceu aos parceiros que contribuíram para a concretização do evento, destacando o apoio da Textang, Corpore, Georgia Lorenzi, Mell Chaves, Dra. Noelma de Abreu, Ana Fernandes e das diversas equipas envolvidas na produção. A estilista reconheceu que, apesar da sua experiência de mais de uma década na moda, este novo conceito trouxe uma emoção especial e reforçou a sua convicção de que a moda pode ser uma poderosa ferramenta de transformação, valorização cultural e empoderamento feminino.

Mais do que um desfile, “E Se Vénus Fosse Bantu?” afirmou-se como um manifesto de identidade, beleza e pertença, deixando uma marca profunda na memória de todas as mulheres que participaram nesta experiência singular.





