Moda com consciência: Estilistas defendem vestir ideias, não apenas tendências

Suzana André
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A moda em Angola e no mundo está a ganhar uma nova voz: mais ética, mais sustentável e com maior consciência social. Já não se trata apenas de seguir tendências, mas de fazer escolhas que reflitam valores, identidade e responsabilidade. “A minha cliente não pode passar despercebida. Coloco a minha personalidade a 100% nas minhas peças, através da escolha do tecido, da atitude das modelos que as usam e da música que escolho para as apresentações”, defende a estilista angolana Rose Palhares, uma das vozes da moda consciente no país.

A chamada “moda com consciência” vai além do visual. Envolve considerar a origem das peças, as condições de trabalho dos produtores, o impacto ambiental dos tecidos e a durabilidade do que se compra. Em Luanda, marcas locais têm apostado na reutilização de tecidos, produção artesanal e coleções com significado cultural e social.

A “designer” Soraya da Piedade, por exemplo, tem promovido o uso de tecidos tradicionais de forma contemporânea, valorizando a cultura angolana aliada a práticas mais sustentáveis. “O made in Angola nunca esteve tão em alta ou tão valorizado, e com isso ganhamos nós, criadores, pois começamos a ter finalmente o nosso próprio público a querer vestir o que fazemos”, afirma.

O movimento também encoraja o consumo responsável: comprar menos, mas com mais qualidade e consciência. Iniciativas como feiras de moda sustentável, brechós e oficinas de reaproveitamento de roupas começam a ganhar espaço, sobretudo entre os jovens criadores e consumidores.

Moda com consciência é, no fundo, uma escolha de estilo de vida. Uma forma de afirmar: “Eu importo-me com o que visto, como visto e com quem está por trás do que visto.”

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