Seán McGirr evoca o espírito de Lee McQueen numa colecção sombria e sensual para o verão 2026

Michela Silva
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Contador de histórias nato e fascinado por narrativas, Seán McGirr mergulhou em duas inspirações intensas para criar a colecção de verão 2026 da Alexander McQueen: o clássico filme de terror The Wicker Man (1973) e a trajectória de Lee McQueen, fundador da marca. O resultado foi uma apresentação que uniu drama, provocação e um toque inesperado de sensualidade.

Na passarela, McGirr revisitou alguns dos códigos mais emblemáticos do lendário estilista britânico, com destaque para a polêmica silhueta “bumster”, de cintura tão baixa que expõe a parte superior das nádegas, criada por McQueen em seu icónico desfile The Highland Rape. Curiosamente, é também em sua quarta colecção que McGirr retoma esse símbolo, num diálogo direto com a história da casa.

As referências a The Wicker Man surgiram em estampas e aplicações florais que evocavam os rituais pagãos do filme, enquanto jaquetas estruturadas, espartilhos e botas robustas remetiam à moda interiorana inglesa. Em contraste, vestidos e calças manchados de vermelho pareciam carregar as marcas de um sacrifício — um tributo ao lado mais sombrio e visceral do universo McQueen.

Nos momentos finais, vestidos de volumes inflados desfilaram como fantasmas etéreos, encerrando o espetáculo com uma mistura de beleza e inquietação. A colecção confirma o talento de McGirr para reinterpretar a herança da marca, equilibrando teatralidade e desejo.

Com essa coleção, o diretor criativo prova que a alma de Lee McQueen continua viva, mas agora com uma nova linguagem, onde o medo e o fascínio caminham lado a lado.

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