Café: Produção local apostado na transformação e exportação

Michela Silva
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A produção e a valorização do café angolano voltaram a estar em destaque durante uma visita institucional realizada à unidade industrial da Angonabeiro, em Luanda, pelo novo embaixador de Portugal em Angola, Nuno Mathias. A deslocação permitiu conhecer de perto o processo de transformação do café produzido no país, desde a recepção da matéria-prima até ao embalamento do produto final.

Ao longo da visita, foi apresentado o modelo de produção baseado na aquisição de café verde junto de produtores nacionais, seguido da sua transformação em território angolano. A estratégia procura acrescentar valor à matéria-prima, fortalecer a indústria nacional e aumentar a presença do café angolano nos mercados externos.

Actualmente, a empresa compra anualmente mais de 1.400 toneladas de café verde a produtores nacionais. Deste volume, cerca de 400 toneladas são destinadas à produção de café torrado para o mercado interno, enquanto aproximadamente mil toneladas são exportadas para países como Portugal, França, Suíça, Cabo Verde e Senegal.

A unidade industrial dispõe de linhas de torrefacção, moagem, rebeneficiamento de café verde, embalamento de café em grão e moído, além de uma linha dedicada à produção de cápsulas de café. O investimento em tecnologia e em processos industriais é apontado como um dos factores que contribuem para garantir a qualidade e a competitividade do café produzido em Angola.

Outro aspecto destacado foi o impacto da cadeia produtiva na economia nacional. A actividade da empresa apoia, de forma directa e indirecta, mais de 40 mil famílias ligadas à produção de café, através da compra da colheita, iniciativas de capacitação técnica e incentivo à adopção de práticas agrícolas sustentáveis.

Durante a visita, o embaixador português sublinhou a importância da transformação local da matéria-prima e da valorização dos recursos humanos, considerando que iniciativas deste género contribuem para a criação de emprego qualificado e para o reforço da indústria agroalimentar angolana.

Com mais de duas décadas de actividade em Angola, a empresa mantém a aposta na modernização da produção e na valorização do café nacional, numa altura em que o sector procura recuperar o protagonismo histórico de Angola como um dos principais produtores de café do continente africano.

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