Autocuidado e autoestima ganham espaço no tratamento de mulheres com doenças autoimunes

Michela Silva
2 leitura mínima

Mulheres que convivem com doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide, enfrentam desafios que vão além dos sintomas físicos. Alterações na pele, queda de cabelo, inchaços e efeitos colaterais de medicamentos podem impactar diretamente a autoestima e a qualidade de vida dessas pacientes.

Segundo a reumatologista e professora da Universidade de Brasília (UnB), Licia Mota, o autocuidado e, em alguns casos, procedimentos estéticos realizados com acompanhamento médico, podem contribuir para o bem-estar emocional e fortalecer a adesão ao tratamento. A especialista destaca que sentir-se bem com a própria aparência ajuda a melhorar a saúde mental, factor considerado importante para o enfrentamento das doenças crónicas.

Dados internacionais apontam que cerca de 80% das pessoas diagnosticadas com doenças autoimunes são mulheres. Para Licia Mota, esse cenário exige uma visão mais ampla do cuidado, considerando não apenas o controle clínico da enfermidade, mas também aspectos relacionados à autoestima e à identidade feminina.

A médica ressalta que não existe uma proibição geral para procedimentos estéticos, mas cada caso deve ser avaliado individualmente. Intervenções mais simples costumam apresentar menor risco, enquanto procedimentos mais invasivos exigem análise criteriosa e devem ser realizados, preferencialmente, quando a doença estiver controlada.

Para a especialista, o autocuidado não deve ser visto como vaidade, mas como uma ferramenta complementar para promover qualidade de vida. “Quando a mulher volta a se reconhecer no espelho, ela também se fortalece para enfrentar o tratamento e os desafios da doença”, afirma.

Compartilhe este artigo
Sem comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *