Especialistas alertam para riscos silenciosos da visão e audição em Luanda

Gracieth Issenguele
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No âmbito do Dia Mundial da Saúde, assinalado a 7 de abril, o Centrooptico e a Audioclinic promoveram uma acção de sensibilização no Shopping Fortaleza , em Luanda, com o objectivo de reforçar a importância do diagnóstico precoce e da prevenção nos cuidados com a visão e a audição. A iniciativa reuniu jornalistas de diversos órgãos de comunicação social e o público, proporcionando rastreios gratuitos e momentos de partilha de conhecimento sobre duas áreas frequentemente negligenciadas, mas essenciais ao bem-estar.

Durante o evento, o técnico de audiologia da Audioclinic, Pedro Afonso, destacou a relevância da saúde auditiva no quotidiano, sublinhando que a capacidade de comunicação depende directamente de uma boa audição. O especialista alertou para sinais de possíveis problemas auditivos, como falar excessivamente alto, pedir repetição constante de frases ou aumentar o volume da televisão. Explicou ainda que a perda auditiva corresponde à diminuição da percepção dos sons, podendo variar entre graus leve, moderado, severo e profundo.

Pedro Afonso reforçou igualmente a necessidade de adoptar práticas preventivas, como evitar a exposição prolongada a ambientes ruidosos e abandonar hábitos prejudiciais, como a utilização inadequada de cotonetes no canal auditivo. Segundo o técnico, a falta de cuidados pode comprometer seriamente a audição ao longo do tempo, sobretudo em profissões com elevada exposição ao ruído, como operadores de call center e radialistas.

Por sua vez, o director técnico do Centrooptico, José Geraldes, chamou a atenção para os desafios crescentes da saúde visual, particularmente devido à mudança de hábitos provocada pelo uso intensivo de dispositivos electrónicos. O especialista explicou que o olho humano está naturalmente preparado para a visão ao longe, mas o uso constante de telemóveis e computadores tem provocado um aumento significativo de problemas como a miopia, considerada já uma “pandemia do século XXI”.

De acordo com o responsável, estima-se que cerca de 30% da população mundial seja míope, número que poderá atingir os 50% até 2050. Ainda assim, destacou que, em regiões como África subsaariana, a prevalência é menor devido à maior exposição ao ar livre, sobretudo entre crianças. Neste sentido, recomendou a adopção de hábitos simples, como a regra 20-20-20 — a cada 20 minutos de trabalho ao perto, olhar durante 20 segundos para uma distância superior a seis metros —, além de garantir uma boa iluminação e consultas regulares.

José Geraldes alertou também para doenças oculares silenciosas, como o glaucoma e a retinopatia diabética, que podem levar à cegueira irreversível se não forem detectadas atempadamente. Sublinhou que, ao contrário da catarata, que pode ser corrigida cirurgicamente, muitas destas patologias não têm cura, tornando a prevenção e o acompanhamento médico fundamentais.

A iniciativa incluiu ainda a realização de rastreios gratuitos de visão e audição para jornalistas e público presente, reforçando o compromisso das instituições em democratizar o acesso aos cuidados de saúde. Segundo os responsáveis, só no último ano foram realizados cerca de 28 mil rastreios em todo o país, incluindo em localidades onde não existem unidades físicas.

Criado em 2014, o Centrooptico afirma-se actualmente como a maior rede de ópticas em Angola, com presença em 10 províncias e cerca de 30 lojas, integrando clínicas, laboratórios e espaços de exposição. Com mais de 500 profissionais, a instituição aposta na inovação e no rigor científico para garantir um serviço completo e de qualidade na área da saúde visual e auditiva.

A acção terminou com um apelo claro: promover a literacia em saúde e incentivar cada cidadão a assumir um papel activo na prevenção. Afinal, como foi sublinhado ao longo do encontro, o conhecimento continua a ser uma das ferramentas mais eficazes para preservar a qualidade de vida.

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