Durante a gestação, o corpo da mulher passa por transformações profundas e extraordinárias para acomodar o crescimento do bebé. Entre as dúvidas mais frequentes que surgem no consultório de obstetrícia e fisioterapia pélvica está uma questão muito específica: toda a grávida tem diástase?
A resposta curta é sim, mas com uma nuance fundamental. Durante o terceiro trimestre da gravidez, praticamente 100% das gestantes desenvolvem algum grau de afastamento dos músculos retos abdominais. Trata-se de uma resposta fisiológica natural: à medida que o útero cresce, a linea alba o tecido conjuntivo que une os lados esquerdo e direito do abdómen estica-se e torna-se mais fina sob a influência de hormonas como a relaxina e o estrogénio.

No entanto, ter o afastamento muscular durante a gestação não significa que a mulher vá ficar com diástase abdominal patológica no pós-parto. Na maioria dos casos, o corpo recupera gradualmente nos meses seguintes ao nascimento do bebé, permitindo que a musculatura volte à sua posição original. A condição só é considerada clínica quando esse afastamento permanece superior a 2 ou 2,5 centímetros após o período de recuperação inicial.

Para minimizar o impacto da diástase e favorecer a recuperação após o parto, os especialistas recomendam a prática de exercícios específicos de fortalecimento do core e do soalho pélvico (supervisionados por um profissional), a manutenção de uma boa postura e evitar esforços abdominais inadequados. Caso a separação muscular persista e cause desconforto ou dor lombar, a avaliação por um fisioterapeuta dermatofuncional ou pélvico é o caminho indicado.
