Professor, jurista, pai e cidadão activo, António Cláver encontra na leitura, nas viagens e no contacto com diferentes culturas algumas das suas principais fontes de inspiração. Interessado nas relações humanas, nas contradições da sociedade e nas pequenas experiências do quotidiano, como apreciar um bom café, acredita que há muito a aprender para além dos livros, embora não dispense a importância da leitura. É dessa curiosidade pelo mundo e da inquietação perante verdades assumidas sem questionamento que nasce O Incómodo de Pensar, o seu primeiro livro.
Na obra, o autor reúne reflexões sobre a paternidade, o amor, as relações humanas, a educação, a identidade, o poder e o trabalho, abordando questões que atravessam tanto a vida individual como a colectiva. Mais do que apresentar respostas definitivas, procura confrontar ideias, expor contradições e questionar preconceitos, hábitos e convicções que, muitas vezes, são aceites sem uma reflexão mais profunda.

A sua experiência como jurista e professor também se reflecte na abordagem, marcada pelo interesse em compreender os limites entre as normas, os princípios e a realidade humana. Para António Cláver, pensar exige abertura para rever posições, reconhecer limitações e admitir a possibilidade de estar errado. Uma perspectiva que reforça a importância da humildade intelectual e da capacidade de formular perguntas, em vez de procurar apenas respostas confortáveis.
A escrita surge, igualmente, como uma forma de participação na construção da sociedade. O autor entende a cidadania não apenas como uma condição jurídica, mas como uma responsabilidade que implica intervir, questionar e contribuir para uma consciência colectiva mais crítica. Embora reconheça que um livro, por si só, não transforma o mundo, acredita no seu poder de provocar conversas, mudar perspectivas e manter vivas questões importantes.

Sem a pretensão de oferecer um manual de respostas ou reivindicar uma autoridade especial sobre a vida, O Incómodo de Pensar apresenta-se como um convite à reflexão e ao exercício da liberdade de pensamento. António Cláver escreve não para encerrar discussões, mas para as abrir, deixando ao leitor o desafio de terminar a leitura com novas perguntas, algumas certezas abaladas e vontade de continuar a conversa. Afinal, pensar pode ser incómodo, mas há comodidades que saem demasiado caras.
O estímulo à reflexão crítica e à literatura como espelho da sociedade partilha afinidades com iniciativas onde a palavra escrita dá voz às dinâmicas reais do país, tal como quando a luta diária das zungueiras ganha voz, história e reconhecimento, reafirmando o compromisso de autores nacionais em fomentar debates essenciais sobre identidade, humanidade e cidadania.