“Cegueira etária”: Quando a busca pela juventude apaga a identidade

Michela Silva
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A chamada “cegueira etária” descreve um fenómeno cada vez mais comum: a dificuldade em identificar a idade de uma pessoa devido à padronização da aparência. Em tempos em que a pele lisa, sem rugas e sem marcas do tempo é vista como ideal, rostos de diferentes gerações começam a parecer cada vez mais semelhantes.

Para a psicanalista Bianca Barki, a incessante procura pela juventude eterna tem um custo que vai além da estética. Segundo a especialista, o desejo de eliminar os sinais naturais do envelhecimento pode apagar características que tornam cada indivíduo único, criando uma aparência homogénea e pouco expressiva.

A reflexão também evidencia a pressão social imposta, sobretudo às mulheres, para que a juventude continue a ser associada ao valor, à beleza e ao sucesso. Nesse contexto, envelhecer passa a ser encarado como algo a ser combatido, em vez de uma etapa natural da vida.

Mais do que uma questão de aparência, o debate sobre a “cegueira etária” convida a repensar a forma como a sociedade encara o envelhecimento. Afinal, são justamente as marcas do tempo, as experiências e as expressões individuais que ajudam a contar a história de cada rosto e preservam a sua autenticidade.

Acompanhe a sequência de fotos de alguns famosos angolanos que não aparentam ter a idade que têm:

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