Crianças transformam-se em empresários do campo: Feira Mini Agro regressa para ensinar economia e agricultura de forma inovadora

Gracieth Issenguele
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A Fazenda Escola ( prepara-se para realizar, no próximo dia 28 de junho, a segunda edição da Feira Mini Agro, uma iniciativa que promete transformar as crianças em protagonistas de uma experiência única de aprendizagem sobre agricultura, empreendedorismo e economia. Mais do que uma simples feira, o projecto apresenta-se como um verdadeiro ecossistema económico em miniatura, concebido para que os mais novos compreendam, de forma prática e divertida, todo o percurso que sustenta o sector agrícola.

A proposta distingue-se pela sua abordagem imersiva: as crianças não participam como espectadoras, mas assumem funções reais ao longo de toda a cadeia de valor agrícola. Organizadas em grupos, criam empresas, solicitam crédito junto da banca, adquirem terrenos ao Estado, investem em sementes e tecnologia, produzem, contratam seguros, pagam impostos, transportam os produtos e comercializam-nos junto do consumidor final.

Toda a dinâmica decorre através de uma moeda própria, denominada “Fazendinhas”, complementada por contratos de microcrédito, seguros e transporte que as próprias crianças assinam, reforçando o carácter pedagógico e interactivo da experiência. Cada participante recebe ainda um crachá identificativo da profissão que irá desempenhar ao longo do dia.

Para tornar a experiência ainda mais realista, a Feira Mini Agro distribui os participantes por sete áreas operacionais fundamentais para o funcionamento do sector agrícola: produção, Agro Tech, Banca, Seguradoras, Logística e Escoamento, Impostos e Mercado. Cada uma destas áreas será acompanhada por coordenadores com experiência prática no terreno.

Através desta metodologia, as crianças descobrem, por exemplo, que um simples tomate que chega ao mercado resulta do trabalho conjunto de diversos profissionais: desde o banqueiro que financia a actividade, passando pelo produtor que cultiva a terra, pela seguradora que protege a produção, pelo transportador que assegura a distribuição e pelo agente tributário responsável pela cobrança dos impostos.

Desta forma, conceitos complexos como economia, empreendedorismo e sustentabilidade ambiental são assimilados de forma natural e intuitiva, despertando desde cedo uma nova consciência sobre a importância estratégica da agricultura para o desenvolvimento do país.

A iniciativa íntegra o trabalho desenvolvido pela Fazenda Escola, uma plataforma agroeducacional que aproxima as crianças, desde o ensino primário, do universo agrícola através de experiências práticas e programas pedagógicos inovadores.

Em apenas dois anos de actividade, o projecto já implementou mais de oito hortas escolares em estabelecimentos de ensino públicos e privados, recebeu mais de três mil crianças no programa “Agricultor por um Dia” e contou com a participação de mais de 480 crianças na primeira edição da Feira Mini Agro, realizada em 2025.

O crescimento da iniciativa também se reflecte na criação de parcerias estratégicas com mais de 20 clientes corporativos, 14 parceiros institucionais e diversas empresas de referência do tecido empresarial angolano, entre as quais se destacam o BFA, BAI, BCI, Keve, VIVA Seguros, BODIVA, Sonangol, Endiama, Azule Energy, Unitel, PwC e TIS.

Para o fundador e director executivo da Fazenda Escola, Luís Massafe, a missão é clara: aproximar as novas gerações da agricultura através da experiência directa.

“A Feira Mini Agro nasceu de uma convicção simples: a melhor forma de uma criança valorizar a agricultura é deixá-la viver, num só dia, tudo o que faz o sector mexer. Quando ela pede um crédito, paga um imposto e vende a sua produção, deixa de ver o campo como algo distante e passa a entendê-lo como o motor da economia. É essa ligação concreta com a terra e com o empreendedorismo que queremos plantar”, afirma.

Mais do que uma actividade educativa, a Feira Mini Agro posiciona-se como uma plataforma de transformação social, preparando uma nova geração de cidadãos conscientes, empreendedores e capazes de compreender, desde cedo, o verdadeiro valor da terra e do trabalho que alimenta o futuro.

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