Há histórias que nascem de oportunidades e outras que nascem de visão. A de Ethiene Mosquito (@da_way) parece reunir ambas, numa trajectória marcada por disciplina, estratégia e uma vontade clara de construir algo com impacto. Jovem angolano movido por propósito e ambição, Ethiene saiu de Angola ainda na adolescência para prosseguir os estudos nos Estados Unidos da América, experiência que moldaria profundamente a sua forma de pensar negócios, inovação e cultura. Foi naquele ambiente competitivo e dinâmico que concluiu o ensino secundário e, posteriormente, a licenciatura em Business Administration, desenvolvendo uma mentalidade empreendedora que hoje orienta cada passo do seu percurso profissional.

Em 2020, logo após a conclusão da sua formação, iniciou o seu caminho no mundo profissional, sempre guiado pela vontade de criar algo próprio. Três anos depois, em abril de 2023, com os seus cofundadores, deu início à construção da ZONA, um projecto pensado de forma estratégica, minuciosa e intencional. O percurso não foi simples: exigiu disciplina, gestão rigorosa do tempo e a capacidade de equilibrar responsabilidades profissionais com a construção de um sonho ambicioso. Hoje, a ZONA posiciona-se não apenas como uma marca, mas como um verdadeiro movimento cultural e urbano que pretende redefinir experiências de convívio, gastronomia e lifestyle em Angola. Em entrevista exclusiva à Revista Chocolate Lifestyle, Ethiene Mosquito fala sobre a sua visão, os desafios do empreendedorismo e o impacto que pretende gerar com este conceito inovador.
RC: Tendo saído de Angola aos 13 anos para estudar nos Estados Unidos, de que forma essa vivência internacional moldou a sua visão empreendedora?
EM: Viver fora muito cedo permitiu-me observar diferentes formas de pensar inovação, negócios e cultura. Nos Estados Unidos aprendi que empreender é, acima de tudo, criar valor e impacto. Hoje vejo Angola com esse olhar: um país com enorme potencial para novas ideias e novas marcas.
RC: Concluiu a licenciatura em Business Administration e iniciou de imediato o seu percurso profissional. Sempre soube que queria empreender ou a ZONA surgiu como resposta a uma oportunidade concreta?
EM: Sempre tive espírito empreendedor. A ZONA nasce precisamente dessa combinação entre vontade de construir algo e a identificação de uma oportunidade clara: criar uma marca moderna, alinhada com a nova geração angolana.
RC: A construção da ZONA começou em abril de 2023. Que lacuna identificaram no mercado angolano que justificou a criação deste projecto?
EM: Identificámos um mercado com pouca inovação e poucas propostas direcionadas ao consumidor jovem. A ZONA surge para introduzir novas categorias de bebidas e uma abordagem de marca mais contemporânea, ligada a estilo de vida, cultura e experiência.
RC: Refere que o processo foi estratégico e minucioso. Quais foram os maiores desafios na fase de estruturação e como os superou?
EM: Empreender em Angola exige visão, mas também muita resiliência. Os desafios passam pela produção, logística e posicionamento de marca. Superámos isso com planeamento estratégico, uma equipa forte e parcerias sólidas.
RC: O ZONA Night Market apresenta-se como o primeiro mercado gastronómico nocturno de luzes em Angola. O que torna esta experiência verdadeiramente diferenciadora no panorama urbano nacional?
EM: Mais do que um mercado, é uma experiência urbana. Junta street food, música, cultura e convívio num ambiente noturno cuidadosamente pensado, com mais de mil luzes decorativas e um layout que convida as pessoas a explorar e permanecer.
RC: Para além da vertente gastronómica, o evento integra cultura, música e zona de experiência. Qual é a importância de criar um conceito multidimensional em vez de um simples mercado?
EM: Hoje as pessoas procuram experiências. Ao combinar gastronomia, música e interação social, criamos um espaço vivo — um verdadeiro ponto de encontro urbano.
RC: O projecto posiciona-se como um movimento económico e cultural. Que impacto concreto espera gerar na economia criativa e no empreendedorismo jovem?
EM: Queremos criar oportunidades reais. O Night Market oferece visibilidade e estrutura para pequenos empreendedores, ajudando-os a crescer e a profissionalizar os seus negócios.
RC: A iniciativa aposta fortemente na valorização de micro e pequenos empreendedores. Como é feita a curadoria e que critérios definem a participação?
EM: A seleção é feita com base na qualidade, originalidade e capacidade de oferecer uma experiência interessante ao público. O objetivo é garantir diversidade gastronómica e manter um padrão elevado.
RC: Realizar um evento nocturno de grande dimensão exige rigor em termos de segurança e organização. Como garantem um ambiente vibrante, mas simultaneamente seguro e acessível?
EM: Temos protocolos rigorosos de segurança e higiene, equipas treinadas no terreno e uma estrutura pensada para garantir conforto e circulação segura para todos os visitantes.
RC: A identidade visual com mais de mil luzes decorativas promete uma atmosfera imersiva. Até que ponto a estética e o storytelling visual são estratégicos para a consolidação da marca ZONA?
EM: São fundamentais. O ambiente visual, a iluminação e a atmosfera criam uma experiência memorável e altamente partilhável, reforçando naturalmente a identidade da marca.
RC: A ZONA nasceu como projecto, mas hoje afirma-se como marca e movimento. Qual é a sua visão para os próximos cinco anos e até onde pretende levar este conceito?
EM: Queremos consolidar a ZONA como uma marca cultural e de lifestyle em Angola. A ambição é continuar a lançar novos produtos, criar experiências únicas e contribuir para um ecossistema mais dinâmico de empreendedorismo e cultura urbana.



