Kisejazz: Uma proposta que desconstrói preconceitos sobre o jazz e navega por outras influências 

Gracieth Issenguele
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A Jazz In Band entra numa nova fase artística com a apresentação da Kisejazz, uma proposta musical que nasce da fusão entre a kizomba, o semba e o jazz. O próprio nome traduz essa identidade híbrida: KI, da kizomba; SE, do semba; e JAZZ, do jazz — três universos sonoros que se encontram num projecto assente na essência, na liberdade criativa e na universalidade da música. Esta abordagem abre espaço à experimentação, ao diálogo entre gerações e à desconstrução de fronteiras estéticas. 

A estreia deste conceito aconteceu num contexto pouco convencional para lançamentos musicais — a gala dos 20 anos da KixiCrédito — opção que, segundo a produção executiva, simbolizou o respeito por uma data marcante e a vontade de oferecer algo único num momento igualmente especial. 

Longe de ser um projecto isolado, a Kisejazz assume-se como uma evolução natural do percurso da Jazz In Band, banda criada em 2019 sob a mentoria de Adriano Guimarães. A proposta reflecte uma visão artística que aposta na diversidade sonora, na tolerância estética e na valorização da essência angolana, dialogando com a sociedade actual através da música enquanto linguagem universal. Entre o tradicional e o contemporâneo, a Kisejazz constrói pontes entre públicos, estilos e sensibilidades. 

Um dos momentos altos da estreia foi a participação do músico Gabriel Tchiema, colaboração que acrescentou intensidade e riqueza à apresentação, sem alterar a identidade já consolidada da banda. A escolha do artista surgiu de forma orgânica, fruto do trabalho prévio sobre o seu repertório, tornando a união uma extensão natural da proposta musical apresentada em palco. 

A Kisejazz distingue-se pela ousadia de desconstruir preconceitos associados ao jazz, frequentemente visto como elitista, e pela liberdade concedida aos músicos para criarem e explorarem novas sonoridades. Para além da base jazzística, a proposta navega por influências como a música latina, a tchianda e outros géneros, mantendo sempre a matriz cultural angolana como eixo central da criação. 

Mais do que um exercício estético, o projecto afirma-se como um contributo activo para a valorização da cultura nacional. Desde a sua criação, a Jazz In Band tem procurado quebrar barreiras sociais e geracionais, aproximando públicos diversos e criando oportunidades para jovens músicos que hoje se afirmam como valores sólidos da música angolana. A presença obrigatória de música nacional nos concertos, mesmo quando participam artistas estrangeiros, reforça esse compromisso com a identidade e a memória cultural. 

Apesar dos desafios logísticos e da falta de apoio que ainda condicionam a presença em palcos internacionais e festivais culturais, a banda mantém o foco na qualidade musical e na consistência artística. O percurso tem sido marcado por actuações em eventos corporativos, palcos nacionais e algumas apresentações abertas ao público, com uma recepção cada vez mais diversa, incluindo jovens universitários e novos públicos curiosos por outras linguagens musicais. 

Com produção executiva e direcção artística de Adriano Guimarães, direcção musical partilhada por Miqueias Ramiro, Jackson Nsaka e Estefânio Amadeu, e uma formação que integra músicos como Dimild Tónico, Raimundo, Dennis Samaya e Teresa, a Jazz In Band prepara agora novos passos. Entre os principais objectivos está a gravação do álbum de estreia ainda este ano e a realização de dois concertos de apresentação oficial da Kisejazz, consolidando uma proposta que se define, acima de tudo, por essência, liberdade criativa e universalidade. 

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