Numa conversa intimista e reveladora, em exclusivo à Revista Chocolate Lifestyle, Monalisa de Almeida Dias (@dias.monalisa) abre o coração para partilhar uma trajectória marcada por desafios, superação e um profundo compromisso com a família. Aos 50 anos, mãe de três filhos e profissional da área bancária, apresenta-se como o retrato de uma mulher moldada pela vida entre perdas, recomeços e conquistas que vão muito além do sucesso material. Nesta entrevista, fala com lucidez sobre resiliência, maternidade, carreira e propósito, deixando um testemunho inspirador que ecoa no universo feminino angolano.

RC: Ao longo dos seus 50 anos, que momentos considera terem sido determinantes para moldar a mulher forte e resiliente que é hoje?
MD: Ao longo dos meus 50 anos, houve momentos que não foram apenas fases… foram verdadeiros pontos de viragem que me moldaram profundamente. As dificuldades que enfrentei ensinaram-me a levantar quando tudo parecia perdido. Houve fases em que a vida exigiu mais força do que eu achava que tinha — e foi aí que descobri a minha verdadeira capacidade de resistir.
A maternidade foi, sem dúvida, um dos momentos mais transformadores. Ser mãe ensinou-me sobre amor incondicional, responsabilidade e uma força que nasce do querer proteger e cuidar, mesmo quando estamos cansadas ou frágeis.

Também houve perdas… despedidas que deixaram marcas, mas que me ensinaram o valor do tempo, das pessoas e daquilo que realmente importa. A dor, por mais difícil que seja, trouxe-me maturidade e uma nova forma de olhar para a vida.
Os recomeços foram igualmente determinantes. Cada vez que tive de começar de novo — seja na vida pessoal, profissional ou emocional — tornei-me mais consciente do meu valor e mais confiante nas minhas escolhas.
Hoje, olho para trás e vejo que não foram apenas os momentos felizes que me fizeram quem sou, mas principalmente os desafios que enfrentei e superei. É isso que constrói uma mulher forte e resiliente: a coragem de continuar, mesmo quando o caminho não é fácil.
RC: Como concilia a exigência da carreira na área bancária com o papel de mãe de três filhos, num contexto tão dinâmico como o angolano?
MD: No meu caso, procuro estruturar bem o meu tempo e ser intencional nas escolhas: quando estou no trabalho, foco-me em ser produtiva e eficiente; quando estou com os meus filhos, priorizo estar presente de verdade. Essa capacidade de “alternar papéis” é essencial, porque ajuda a reduzir a sensação de estar sempre em falta em alguma área — algo comum entre mães profissionais.
RC: Que valores faz questão de transmitir aos seus filhos e de que forma esses princípios refletem a sua própria história de vida?
MD: Os valores que faço questão de transmitir aos meus filhos estão profundamente ligados à minha própria história de vida. Cresci a perceber que nada substitui o trabalho honesto, a resiliência e o respeito pelo próximo, e são esses princípios que procuro incutir diariamente.
RC: No sector bancário, marcado por desafios constantes, o que a motiva diariamente a crescer e a superar-se profissionalmente?
MD: Em primeiro lugar, motiva-me a vontade de evoluir continuamente. A banca está em permanente transformação, e isso obriga-nos a aprender, adaptar e reinventar-nos todos os dias. Para mim, crescer profissionalmente não é uma opção — é um compromisso.
RC: A resiliência é uma das suas características mais marcantes. Houve algum episódio específico que a tenha ensinado, de forma mais profunda, o verdadeiro significado dessa palavra?
MD: A resiliência ensinou-me que a força não está em nunca cair, mas em levantar-se com mais clareza, mais coragem e mais propósito a cada vez.
RC: Como descreve o seu estilo de vida fora do ambiente profissional? O que faz para manter o equilíbrio emocional e o bem-estar no dia-a-dia?
MD: Fora do ambiente profissional, procuro levar um estilo de vida simples, mas intencional, onde o foco principal é o equilíbrio emocional, a presença e a qualidade dos momentos. Valorizo muito o tempo em família. Estar com os meus filhos, conversar, partilhar pequenas rotinas do dia-a-dia — são nesses momentos que recarrego energias e reencontro o meu centro.
Também procuro cuidar de mim, porque entendi que só consigo dar o meu melhor aos outros se estiver bem comigo mesma. Isso passa por coisas simples, como ter momentos de silêncio, ir à praia ou apenas desacelerar. Às vezes, é no pouco que encontramos o verdadeiro equilíbrio.

RC: De que forma a família influencia as suas decisões, tanto a nível pessoal como profissional?
MD: A minha família é, sem dúvida, o meu principal ponto de referência — tanto nas decisões pessoais como nas profissionais. É a base sobre a qual construo as minhas escolhas.
RC: No contexto do lifestyle angolano actual, o que significa para si viver com propósito e autenticidade?
MD: Sim, acredito que o legado não é algo que se constrói apenas no fim da caminhada — ele começa a ser desenhado todos os dias, nas pequenas atitudes, nas escolhas e na forma como impactamos a vida dos outros. E, nesse sentido, sinto que já comecei a construir esse caminho.
Se os meus filhos, um dia, olharem para a minha história e encontrarem nela força para enfrentar os próprios desafios, então saberei que o meu legado fez sentido. E se, de alguma forma, eu tiver tocado outras pessoas de forma positiva — seja através do meu trabalho, das minhas palavras ou das minhas atitudes — isso já será, para mim, uma realização enorme.
RC: Ao olhar para a sua trajectória, sente que já começou a construir o legado de força e inspiração que deseja deixar? Como gostaria que fosse recordada?
MD: No fundo, mais do que ser lembrada pelo que conquistei, quero ser lembrada pela forma como vivi, como tratei os outros e pelo exemplo que deixei.
RC: Que mensagem deixaria às mulheres angolanas que enfrentam desafios semelhantes, entre carreira, maternidade e realização pessoal?
MD: Às mulheres angolanas que vivem o desafio de conciliar carreira, maternidade e realização pessoal, deixaria uma mensagem simples, mas verdadeira: não tentem ser perfeitas, procurem ser reais, consistentes e fiéis a si mesmas.



