A expressão “as mulheres engordam facilmente depois dos 50” é frequente, mas simplifica em excesso um processo biológico mais complexo. Especialistas em endocrinologia e nutrição explicam que o aumento de peso nesta fase da vida resulta sobretudo de alterações hormonais, metabólicas e comportamentais, e não de uma única causa.
Segundo a endocrinologista JoAnn Manson, a diminuição dos níveis de estrogénio durante a menopausa está entre os principais fatores. Esta alteração hormonal favorece a acumulação de gordura abdominal e altera como o corpo regula o metabolismo.

A nutricionista clínica Susan Bowerman explica que, com a idade, ocorre uma redução natural da massa muscular. Este processo diminui o gasto energético em repouso, o que significa que o corpo passa a queimar menos calorias, mesmo mantendo hábitos alimentares semelhantes.
Outro fator apontado pelo médico especialista em medicina do envelhecimento Eric Topol é a diminuição da atividade física ao longo dos anos. Segundo o especialista, a redução do movimento diário contribui significativamente para o ganho de peso progressivo após os 50 anos.
A psicóloga da saúde Kelly McGonigal destaca ainda o impacto do “stress” crónico e das alterações emocionais nesta fase da vida. O “stress” pode influenciar o apetite e levar a uma maior procura por alimentos calóricos, aumentando o risco de ganho de peso.
Por fim, a especialista em metabolismo Rita Redberg refere que alterações no sono, comuns na menopausa, também desempenham um papel importante. A falta de sono adequado afeta hormonas relacionadas com a fome e a saciedade, contribuindo para o aumento de peso.
Os especialistas são unânimes num ponto: o aumento de peso após os 50 anos não é inevitável. Alimentação equilibrada, exercício regular, gestão do “stress” e acompanhamento médico podem reduzir significativamente estes efeitos e melhorar a qualidade de vida nesta fase.




