Ivan António defende aceleração da saúde digital em Angola

Michela Silva
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O Embaixador de Angola no Africa HealthTech Summit (AHTS) 2026 e Diretor de Saúde Digital da New Cognito (empresa que integra o portfólio tecnológico da JETA Africa Holding), Ivan António, defendeu que o País tem uma oportunidade ímpar para acelerar a transformação digital do setor da saúde. Segundo o especialista, este processo deve passar obrigatoriamente pela integração dos sistemas existentes, pela interoperabilidade e por uma governança estruturada dos dados, evitando a criação de soluções isoladas que não comunicam entre si.

O AHTS 2026 decorreu entre 30 de setembro e 2 de outubro, em Kigali, no Ruanda, e contou com a presença da Ministra da Saúde de Angola, Sílvia Lutucuta, reforçando o compromisso ao mais alto nível do Governo angolano com a modernização e inovação tecnológica dos cuidados de saúde no País.

Na cimeira internacional, Ivan António participou em dois painéis de destaque: “Repensar a Economia da Saúde em África: Desbloquear a Inovação Público-Privada para a Transformação dos Sistemas de Saúde” e “Para Além dos Projectos-Piloto: Construir Sistemas de Dados, Saúde Digital e Inteligência Artificial de Apropriação Nacional em África”. Nesses espaços, o especialista partilhou perspetivas sobre os desafios e oportunidades associados à digitalização dos sistemas africanos, focando-se na experiência e nas prioridades de Angola.

Para o responsável, uma das grandes prioridades consiste em construir sobre os sistemas já existentes, permitindo que plataformas de gestão hospitalar, registos clínicos eletrónicos, sistemas laboratoriais, telemedicina e ferramentas de diagnóstico comuniquem entre si através de arquiteturas comuns. Esta integração será determinante para evitar a fragmentação tecnológica e permitir decisões clínicas mais eficazes.

“Angola tem hoje a oportunidade de olhar para a transformação digital da saúde de forma integrada, aproveitando os sistemas e experiências que já existem e criando condições para que possam evoluir de forma articulada. Mais do que multiplicar plataformas, importa garantir que estas comunicam entre si e que a informação pode acompanhar o cidadão ao longo do seu percurso de cuidados”, afirmou Ivan António.

Ivan António concluiu sublinhando que a transformação digital exige confiança: “Quando falamos de dados de saúde, é fundamental saber quem pode aceder à informação, onde está armazenada e como é utilizada. Criar uma estrutura de governança sólida é, por isso, essencial”.

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