Empreendedora angolana fala, em entrevista exclusiva à Revista Chocolate, sobre a sua trajectória no sector da beleza, os desafios de construir um negócio e a missão de devolver a autoestima através dos seus produtos.
Há histórias de empreendedorismo que começam com grandes investimentos e planos cuidadosamente traçados. A de Angelina Yeto, porém, começou de forma muito mais simples: com acessórios comprados no Kikolo e revendidos na escola, ainda durante o ensino médio. Foi ali que nasceu o gosto pelo comércio e, anos mais tarde, a vontade de transformar aquela iniciativa num verdadeiro negócio.

Hoje, seis anos depois de iniciar o seu percurso no ramo, Angelina actua no sector da beleza e dos acessórios para noivas, disponibilizando cosméticos, kits destinados a diferentes tons de pele e uma variedade de acessórios, com opções de venda e aluguer.
“Comprava acessórios no Kikolo e vendia na escola”, recorda Angelina, ao falar sobre o início da sua caminhada. Foi através dessa experiência que começou a desenvolver o gosto pelo negócio e a dar os primeiros passos até chegar ao projecto que possui actualmente.
O interesse pelo sector da beleza também surgiu de uma paixão pessoal. Desde pequena, Angelina conta que sempre gostou de cuidar de si e de estar bonita. Essa inclinação levou-a a procurar formação e capacitação profissional para transformar aquilo que já fazia por gosto numa actividade estruturada.
A diversidade de produtos e serviços disponibilizados no seu espaço não surgiu por acaso. Segundo Angelina, a decisão de reunir diferentes vertentes da beleza foi motivada pelas próprias clientes, que procuravam soluções que nem sempre estavam disponíveis no mesmo lugar.

“Eu decidi colocar de tudo um pouco de beleza no meu espaço porque as clientes sentiam falta dos mesmos. Então fui adicionando aos poucos”, explica. A estratégia acabou por resultar e permitiu que o negócio fosse crescendo de forma gradual.
Entre os produtos que mais se destacam estão os kits mulato, moreno e negro, pensados para diferentes tons de pele. Para Angelina, mais do que oferecer cosméticos, trata-se de reconhecer a diversidade e contribuir para que cada mulher encontre produtos que valorizem a sua beleza.
“Os nossos kits são um dos melhores que existem no mercado angolano, cada um com a sua elegância, dando o melhor brilho para cada tipo e tom de pele”, afirma.
A empreendedora acrescenta que os kits têm também uma dimensão emocional: são pensados para ajudar a devolver a autoestima a quem, por alguma razão, já a perdeu. “Pensamos que todos nós merecemos ter uma pele linda e saudável”, defende.
No segmento de noivas, Angelina trabalha tanto com venda como com aluguer, uma opção que procura responder às diferentes possibilidades financeiras das clientes. A empreendedora trabalha ainda com peças africanas provenientes da Nigéria, entre elas turbantes, abanós, bengalas, colares e outros acessórios que podem complementar diferentes estilos de noivas e produções.

Num mercado cada vez mais competitivo, Angelina considera que o seu principal diferencial está na forma como encara o trabalho. “Gosto de dar o meu melhor e fazer sempre para manter o meu bom nome no mercado e não perder a credibilidade”, afirma.
Para a empresária, a confiança construída com os clientes é um dos activos mais importantes de qualquer negócio. Mais do que vender um produto ou prestar um serviço, existe a preocupação de preservar uma reputação construída através do empenho e da dedicação.
“Eu sinto que venci o impossível. E isso é um momento marcante para mim”, revela.
Um dos episódios mais difíceis aconteceu quando abriu a sua primeira loja de vestidos de noiva. A experiência acabou por ser um choque e levou-a, naquele momento, a pensar em parar com tudo. Foi a fé que, segundo a empreendedora, lhe deu forças para continuar.

“Deus renovou as minhas forças e continuei a lutar”, conta.
Conciliar o empreendedorismo com a vida familiar também tem sido um desafio. Angelina assume que não tem sido fácil conciliar as responsabilidades de empreendedora e mãe de família, acrescentando ainda a sua vida enquanto cristã e obreira. Apesar das dificuldades, acredita que tem encontrado força e capacidade para continuar a avançar.
O conselho é simples, mas nasce da própria experiência: não deixar que as circunstâncias do presente determinem o futuro.
“Não importa como vai começar. O importante é dar a iniciativa”, aconselha.
Para Angelina, começar, persistir e manter a esperança são passos fundamentais para quem deseja construir o próprio negócio.
Seis anos depois dos primeiros passos, Angelina Yeto já começa a ver os seus produtos ultrapassarem as fronteiras nacionais. Segundo a empreendedora, os seus acessórios e kits já são consumidos no exterior, um sinal de que o projecto tem potencial para crescer para além de Angola.
E é precisamente aí que está a sua maior ambição.
“Daqui a cinco anos quero ver o nome da Angelina Yeto e os produtos a serem expandidos ao mundo inteiro”, afirma.