Suena Rodrigues quer transformar vidas através do atendimento

Gracieth Issenguele
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Num país onde o atendimento público continua a ser um dos maiores desafios sociais e institucionais, há mulheres que decidiram transformar a forma de servir, comunicar e impactar vidas. É neste cenário que se destaca Suena Rodrigues, funcionária efectiva dos Serviços de Migração e Estrangeiros de Angola (SME), mentora, consultora e criadora do conceito “Atendimento com Alma”, uma visão humanizada que ganha cada vez mais espaço entre profissionais e instituições.

Com mais de 15 anos de experiência no sector migratório, Suena construiu uma carreira marcada pela disciplina, entrega e forte sensibilidade humana no contacto com o público. Especialista em Migração Legal, Consultora de Negócios, Mentora de Desenvolvimento Pessoal e Treinadora em Atendimento Humanizado, tornou-se também uma voz activa na promoção do empreendedorismo feminino, liderança humanizada e valorização da mulher angolana.

Natural da província da Lunda Sul, carrega consigo valores ligados à humildade, união e força comunitária, características que influenciam directamente a sua forma de liderar, comunicar e servir. Nas redes sociais e nos seus projectos formativos, Suena é hoje reconhecida pela comunicação próxima, autêntica e profundamente ligada à realidade do povo angolano.

Numa entrevista exclusiva à Revista Chocolate Lifestyle, Suena Rodrigues falou sobre os desafios da carreira institucional, a importância da empatia no atendimento ao público, o crescimento feminino em Angola e os projectos que pretende continuar a desenvolver em prol da juventude e das mulheres angolanas.

RC: Como descreve a sua trajectória de mais de 15 anos nos Serviços de Migração e Estrangeiros de Angola e quais foram os maiores desafios enfrentados ao longo deste percurso?

SR: A minha trajectória nos Serviços de Migração e Estrangeiros foi construída com muito compromisso, disciplina e sentido de missão. Ao longo destes mais de 15 anos, aprendi que trabalhar com pessoas exige mais do que conhecimento técnico, exige equilíbrio emocional, empatia e humanidade.

Enfrentei muitos desafios, desde a pressão institucional, a necessidade constante de actualização profissional, até à gestão humana em situações delicadas envolvendo cidadãos nacionais e estrangeiros. Mas cada desafio ajudou-me a crescer enquanto profissional e enquanto mulher. Hoje olho para trás com orgulho, porque percebo que não construí apenas uma carreira, construí também um legado de serviço, respeito e entrega.

RC: O conceito “Atendimento com Alma” tem despertado atenção em várias áreas profissionais. Como nasceu esta visão humanizada do atendimento?

SR: O ‘Atendimento com Alma’ nasceu da observação diária da dor humana. Muitas vezes, as pessoas não chegam ao balcão apenas à procura de um documento ou de um serviço. Elas chegam cansadas, preocupadas, frustradas e, acima de tudo, à procura de respeito.7

Percebi que um atendimento frio pode marcar negativamente uma vida, mas um atendimento humanizado pode devolver dignidade e esperança a alguém.

RC: Na sua opinião, o que ainda precisa de mudar no atendimento público em Angola para que o cidadão se sinta mais acolhido e respeitado?

SR: Precisamos investir mais na humanização do atendimento, na educação emocional dos profissionais e na valorização do servidor público.

O respeito, a escuta activa, a paciência e a comunicação correcta fazem toda diferença.

RC: Sendo especialista em Migração Legal, como avalia actualmente a realidade migratória em Angola e os principais desafios enfrentados pelos cidadãos estrangeiros e nacionais?

SR: A realidade migratória em Angola continua a exigir muita atenção, sobretudo no que toca à informação e regularização documental.

Tenho defendido cada vez mais a educação migratória, porque quando as pessoas conhecem os seus direitos e deveres, evitam muitos constrangimentos legais e sociais.

RC: De que forma consegue conciliar a exigência da carreira institucional com o trabalho como mentora, consultora e treinadora?

SR: Tudo nasce da organização, do propósito e do amor pelo que faço.

Conciliar não é fácil, exige disciplina, renúncia e muito equilíbrio emocional. Mas quando fazemos algo alinhado com o nosso propósito, encontramos forças para continuar.

RC: A valorização da mulher angolana é uma das suas bandeiras. Que obstáculos considera que ainda limitam o crescimento feminino no empreendedorismo nacional?

SR: Muitas mulheres ainda enfrentam limitações financeiras, falta de acesso à informação, medo de começar e ausência de apoio emocional e estrutural. Mesmo assim, vejo mulheres extremamente fortes, inteligentes e criativas.

RC: Muitos jovens procuram inspiração em figuras como a Suena Rodrigues. Que conselhos deixa para quem deseja construir uma carreira sólida sem perder a sensibilidade humana?

SR: Nunca deixem o sucesso matar a vossa humanidade. O conhecimento abre portas, mas o carácter sustenta a caminhada.

RC: Como a sua ligação à província da Lunda Sul influencia a sua forma de pensar, liderar e comunicar com as pessoas?

SR: A Lunda Sul faz parte da minha identidade. Cresci ligada a valores muito fortes como respeito, união, humildade e força comunitária.

RC: Ao longo da sua experiência, houve algum momento marcante no atendimento ao público que tenha transformado a sua forma de ver a missão de servir?

SR: Já atendi pessoas emocionalmente fragilizadas, cidadãos desesperados por ajuda, mães aflitas, jovens perdidos e estrangeiros sem qualquer orientação.

Foi aí que entendi que servir não é apenas executar tarefas. Servir também é cuidar da dignidade humana.

RC: As redes sociais tornaram-se uma ferramenta importante no seu trabalho. Como tem utilizado o digital para impactar e educar mulheres angolanas?

SR: Uso as redes sociais como ferramenta de educação, inspiração e transformação.

Procuro partilhar conteúdos sobre empreendedorismo, atendimento humanizado, desenvolvimento pessoal, migração legal e valorização feminina.

RC: O empreendedorismo feminino em Angola tem crescido nos últimos anos. Acredita que as mulheres angolanas estão hoje mais preparadas para liderar negócios e comunidades?

SR: Hoje vejo mulheres mais ousadas, mais preparadas e mais conscientes do seu potencial.

RC: Fora do lado profissional, como define o seu lifestyle e que hábitos fazem parte da sua rotina de equilíbrio e desenvolvimento pessoal?

SR: Valorizo momentos com a família, oração, leitura, aprendizagem contínua e autocuidado.

RC: Que importância atribui à empatia e à inteligência emocional na liderança feminina e no ambiente de trabalho?

SR: A empatia e a inteligência emocional são fundamentais. Hoje mais do que nunca, precisamos de líderes humanos.

RC: Quais são os próximos projectos e sonhos que pretende concretizar nos próximos anos em prol das mulheres e da juventude angolana?

SR: Pretendo continuar a expandir o projecto ‘Atendimento com Alma’, fortalecer as plataformas de formação e mentoria feminina e desenvolver iniciativas ligadas à educação migratória e empreendedorismo.

Com uma visão profundamente humanizada sobre liderança, atendimento e desenvolvimento social, Suena Rodrigues afirma-se como uma das vozes femininas emergentes mais influentes da actualidade angolana, mostrando que servir com empatia pode transformar instituições, fortalecer comunidades e devolver dignidade às pessoas.

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