“Vivemos numa sociedade onde o prazer ainda é tratado com culpa, silêncio ou superficialidade”, sexóloga Lwinizia Fernandes

Michela Silva
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Em entrevista exclusiva à Revista Chocolate, a sexóloga Lwinizia Fernandes e autora do livro Sagrado Prazer falou abertamente sobre sexualidade, autoconhecimento e a necessidade de ressignificar a forma como a sociedade encara o prazer.

A obra surge como um manifesto contra a culpa e o silêncio ainda associados ao tema. Para a autora, o prazer precisa ser visto para além do físico, sendo entendido como uma experiência emocional, consciente e transformadora.

“Vivemos numa sociedade onde o prazer ainda é tratado com culpa, silêncio ou superficialidade. Sagrado Prazer nasce como um convite à consciência para que o prazer deixe de ser apenas físico e passe a ser entendido como uma experiência profunda, consciente e transformadora”, afirmou.

Um dos pontos centrais do livro é a escolha do título. Segundo a sexóloga, o termo “sagrado” não está ligado necessariamente à religião, mas ao respeito pelo próprio corpo e pelas emoções.

“O ‘sagrado’ aqui não está ligado apenas à religião, mas ao respeito, à presença e ao valor que damos ao nosso próprio corpo e às nossas emoções. Tornar o prazer sagrado é retirar-lhe a banalidade e devolver-lhe dignidade”, explicou.

Ao longo da conversa, Lwinizia destacou que ainda existem muitos tabus em torno da sexualidade, especialmente quando o assunto é prazer feminino e educação emocional.

“Procuro desconstruir a ideia de que o prazer é pecado, de que é apenas masculino ou de que deve ser vivido em silêncio”, disse.

A obra também aborda a ligação entre prazer, emoções e autoestima, reforçando que o autoconhecimento tem impacto direto na forma como as pessoas se relacionam consigo mesmas e com os outros.

Grande parte do conteúdo do livro nasceu da experiência profissional da autora como sexóloga. Histórias de repressão, falta de educação sexual e sofrimento emocional foram fundamentais para a construção da obra.

“Ao longo da minha prática, deparei-me com histórias marcadas por repressão, desinformação e dor emocional ligada à sexualidade. Pessoas que nunca tinham sido ensinadas a sentir, apenas a cumprir”, revelou.

Apesar de dialogar com mais intensidade com o universo feminino, Lwinizia reforça que o livro não é exclusivo para mulheres.

“Sagrado Prazer é para todos que desejam se conhecer melhor, melhorar os seus relacionamentos e viver de forma mais consciente”, afirmou.

No encerramento da entrevista, a sexóloga deixou uma mensagem para quem ainda sente medo de explorar a própria intimidade.

“O medo é natural, mas não pode ser permanente. Conhecer-se não é um acto de exposição, é um acto de amor próprio”, disse.

A autora adiantou ainda que novos projectos já estão em desenvolvimento, com o objectivo de continuar a promover educação sexual e liberdade emocional.

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