Rap em chamas: Monsta respondeu em menos de duas horas ou já tinha a música preparada?

Gracieth Issenguele
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O Hip Hop angolano voltou a viver um dos momentos mais intensos dos últimos tempos. O que parecia apenas mais um lançamento musical transformou-se rapidamente numa verdadeira guerra lírica entre Monsta , Ready Neutro e Leonardo Shankara, reacendendo a cultura dos beefs e dividindo opiniões nas redes sociais.

Tudo começou com a EP “Finta”, lançada por Monsta, há dois meses, onde o rapper disparou linhas directas para Ready Neutro e Leonardo Shankara. Apesar do impacto inicial, muitos acreditavam que a provocação ficaria sem resposta, sobretudo devido ao silêncio dos artistas visados.

No entanto, a resposta surgiu de forma estratégica. Dois meses depois, Ready Neutro lançou a EP “Motim”, composta por cinco faixas recheadas de indirectas, ataques pessoais e “barras” incisivas direccionadas a Monsta. Em músicas como “Cadáveres Antigos”, o rapper recupera o espírito competitivo que marcou várias fases do rap nacional e reacende o clima de confrontação lírica no movimento.

Entre os versos que mais agitaram o público destacam-se frases como: “Tua dama é que monstro, fizeste filho fora, ela te deu o troco” e ainda “Como te achas peixe grande se o teu pai é peixe miúdo”, linhas que rapidamente se tornaram virais e alimentaram o debate entre os fãs.

Quando muitos pensavam que Ready Neutro teria o protagonismo da resposta, Leonardo Shankara surpreendeu ao regressar aos estúdios com a música “Tou Aqui”. O rapper trouxe versos directos e provocadores, incluindo a linha: “Ready fez remix do Funciona táh se bem, fizeste o Cafoia 1 e 2, quem é fã de quem?”, aumentando a tensão dentro do movimento.

O mais surpreendente é que todos os lançamentos aconteceram no mesmo dia 27 de maio, transformando a data num dos dias mais movimentados para o Hip Hop angolano nos últimos tempos.

Game over

Mas a disputa não terminou aí. Em menos de duas horas após os ataques, Monsta voltou a responder com a faixa “Game Over – Assunto Encerrado”, mostrando que não pretende abandonar a batalha tão cedo. Num dos versos mais comentados, o rapper afirma estar “a dar gera em toda Yebba”, numa clara demonstração de confiança e provocação aos adversários.

Há quem diga, entretanto, que esta música do Monsta já existia, ele ja havia articulado tudo e

lançou-a. Esta corrente alega que o rapper da Dope Music sabia que seria respondido, mas antes da resposta já havia preparado uma música para contra-atacar

     “Se virmos na música do Monsta, ele não responde directamente os versos da música do Ready Neutro, ou do Shankara. Foram simplesmente disslines atemporais a todo o momento. Mas bem pensando”, comentou para a Chocolate um especialista.

A troca de farpas entre os artistas voltou a colocar o rap angolano no centro das atenções, recuperando a essência competitiva das diss tracks e reacendendo discussões sobre quem realmente domina o jogo lírico nacional. Enquanto os fãs escolhem lados, uma coisa parece certa: o movimento voltou a ganhar intensidade, polémica e um nível de atenção que há muito não se via.

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