“Na Rose Palhares, tudo é feito por humanos, para humanos” — A estilista que veste sonhos e redefine o luxo africano

Gracieth Issenguele
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Visionária, criativa e profundamente ligada às suas raízes, Rose Palhares, graduada em Design de Moda pela Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina (Brasil), a estilista angolana soma oito prémios conquistados em Angola e no mundo, incluindo o mais recente “Melhor Capa de 2025” pela Superbrands Angola.

Em entrevista à Revista Chocolate Lifestyle, Rose Palhares reflete sobre a sua trajetória, a importância da autenticidade, o poder da cultura africana na moda global e os novos horizontes da sua marca — agora reconhecida internacionalmente como símbolo de inovação, ética e identidade africana.

RC: A marca Rose Palhares completa mais de 10 anos no mercado de luxo. Quando olha para esta trajetória, que conquistas sente que melhor definem a sua identidade como estilista e CEO?

RP: O reconhecimento internacional da marca construiu uma visibilidade global e estabeleceu-nos como referência na moda de luxo contemporâneo, exaltando a estética e a cultura africanas. Implementámos práticas sustentáveis, fortalecemos comunidades e criámos uma família de clientes e colaboradores que partilham os mesmos valores. A inovação constante e o apoio a novos talentos refletem o que mais me orgulha: unir cultura, ética e criatividade.

RC: África está no centro da sua marca. O que significa traduzir cultura e tradição africana em peças de sofisticação global?

RP: É uma honra e uma responsabilidade enorme. Cada criação é um reflexo das minhas raízes e da riqueza cultural africana como eu vejo. A nossa grande inspiração são as Mulheres e elas trazem o que muitas vezes falta…e claro ao juntar elas mais a combinação de técnicas tradicionais com design contemporâneo, celebro a nossa história colocando A Marca no mapa da moda mundial através do meu cunho Africano.

RC: O seu atelier já criou mais de 500 vestidos sob medida e 1.100 looks para o Festival de Cannes. Qual foi o momento mais marcante dessa experiência?

RP: Quando uma televisão francesa me perguntou: “Qual é a sensação de vestir todas as mulheres do mundo?”. Naquele momento percebi que o meu sonho de menina tornou-se real — e decidi voltar para Angola para investir na indústria têxtil do meu país.

 RC: Em 2025, a sua marca foi reconhecida como Superbrands e venceu o prémio de Melhor Capa. O que simboliza esta conquista?

RP: É um marco emocionante. “Na Rose Palhares, tudo o que é feito, é feito por humanos, para humanos.” Defendi isso durante todo o processo. Este prémio é da minha equipa e dos nossos clientes, que acreditam na nossa forma artesanal e humana de criar.

 RC: Durante a pandemia, as máscaras de tecido da linha RTW geraram impacto social. Que significado teve esse gesto solidário?

RP: Foi uma forma de cuidar e estar presente num momento de fragilidade colectiva. Esse gesto aproximou-nos das pessoas e mostrou que a Rose Palhares é mais do que uma marca — é também uma comunidade.

RC: O lançamento da Rohme, a sua nova linha de têxteis para o lar, marca uma nova fase. O que podemos esperar desta expansão?

RP: A Rohme nasce para expandir o universo Rose Palhares para dentro de casa. É design, conforto e autenticidade — um lifestyle completo que reflete os valores e a estética da nossa marca.

 RC: A marca tem crescido e hoje conta com 28 colaboradores. Qual é o maior desafio em manter a essência artesanal neste ritmo de expansão?

RP: Ensinar a nova geração a valorizar o toque humano. Cada colaborador precisa entender que aqui tudo é feito com alma. O maior desafio é crescer sem perder a essência — e estamos a consegui-lo.

RC: A sustentabilidade é uma das bandeiras da Rose Palhares. Como equilibra o luxo com a responsabilidade ambiental?

RP: O luxo, para mim, está na consciência, na liberdade de apenas Ser. Usamos tecidos recicláveis, promovemos o comércio justo e trabalhamos com artesãos locais. A sustentabilidade é parte da nossa identidade e não uma tendência.

RC: A sua marca tem uma presença forte no digital. Como vê a importância das redes sociais na moda de luxo?

RP: As redes sociais aproximam-nos do público e permitem contar histórias reais. Mostramos o que sabemos que o nosso cliente gosta de ver, o que o nosso admirador se inspira… A autenticidade é o nosso luxo.

RC: O seu trabalho é frequentemente descrito como uma celebração da mulher africana. Quem é a mulher Rose Palhares?

RP: É uma mulher empreendedora que tem vindo a abrir portas para outras mulheres serem quem elas realmente são, inspirando a abraçarem as suas histórias e usarem a moda como forma de se expressarem.

RC: Se tivesse de definir a marca Rose Palhares numa frase…

RP: “Rose Palhares — quando quem veste conta a sua própria história.”

Com uma carreira que atravessa fronteiras, Rose Palhares reafirma o poder da moda africana como expressão cultural, sustentável e emocional. A sua visão inspira uma nova geração de criadores a olhar para dentro — para as raízes e para o coração — como o ponto de partida da verdadeira elegância.

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