Os perfumes gourmand conquistam a nova era da beleza

Gracieth Issenguele
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A perfumaria vive uma nova revolução olfactiva e os perfumes doces assumem cada vez mais protagonismo no universo da beleza. Antes associados a uma estética mais juvenil, os aromas gourmand — marcados por notas como baunilha, marshmallow e ingredientes cremosos — tornaram-se símbolos de personalidade, luxo e autoexpressão. A tendência divide opiniões entre quem celebra a doçura intensa e quem prefere fragrâncias mais frescas, cítricas ou amadeiradas.

Segundo uma análise feita junto da comunidade de beleza e da especialista Renata Abelin, directora de Marketing e Inovação LATAM da Givaudan, a perfumaria deixou de ser apenas uma escolha de aroma para se transformar numa verdadeira assinatura pessoal. Actualmente, o perfume representa identidade, emoções e estilo de vida, sendo uma extensão da forma como cada pessoa deseja ser percebida.

Apesar do crescimento dos perfumes adocicados, os gostos continuam diversificados. Cerca de 80% dos consumidores demonstram preferência por fragrâncias cítricas, amadeiradas, aromáticas, chipres e fougères, enquanto 20% permanecem fiéis aos aromas doces que conquistaram gerações.

A evolução dos perfumes gourmand também trouxe uma nova interpretação da doçura. Longe de serem apenas açucarados, estes aromas passaram a explorar uma vertente mais sofisticada, com notas cremosas, leites de arroz, texturas suaves e influências do universo asiático. O resultado são fragrâncias mais elegantes, delicadas e próximas da pele.

Outro destaque da tendência é o gourmand adulto, que combina a doçura com elementos mais profundos, como notas de licor, rum e madeiras intensas. Esta fusão cria perfumes mais complexos e maduros, capazes de equilibrar sensualidade e sofisticação.

Para Renata Abelin, o sucesso dos perfumes doces também está ligado ao lado emocional. Em tempos de maior intensidade e desafios, estas fragrâncias funcionam como uma espécie de conforto sensorial, despertando memórias, prazer e uma sensação de bem-estar. O doce deixa, assim, de ser apenas uma nota olfactiva para se tornar uma linguagem emocional.

A especialista aponta ainda que novos comportamentos de consumo podem estar a influenciar esta procura, incluindo a redução do consumo de açúcar associada a determinadas tendências de bem-estar. Neste cenário, a perfumaria surge como uma forma simbólica de experimentar prazer através do olfacto, sem envolver a ingestão.

Apesar da força dos aromas gourmand, o futuro da perfumaria promete equilíbrio. A tendência não é o desaparecimento dos perfumes doces, mas sim a sua transformação. Fragrâncias mais leves, frescas, verdes e com efeito de “segunda pele” começam também a ganhar espaço, criando uma nova geração de aromas mais íntimos e contemporâneos.

Entre o conforto da baunilha e a elegância das notas amadeiradas, a perfumaria actual revela que escolher um perfume é muito mais do que escolher um cheiro: é escolher uma identidade.

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