A procura pelo corpo “perfeito” pode parecer, à primeira vista, apenas uma questão de estética. No entanto, quando a preocupação com a aparência passa a dominar os pensamentos e a rotina, pode esconder problemas de saúde psicológica.
A crescente exposição a conteúdos sobre dietas restritivas, magreza extrema, exercício excessivo e procedimentos estéticos nas redes sociais está a preocupar especialistas. Segundo psicólogos ouvidos pelo HuffPost, estas tendências podem alimentar comparações constantes e criar uma necessidade permanente de mudar ou “otimizar” o corpo.

Golee Abrishami, psicóloga especializada em alimentação e imagem corporal, alerta que estas tendências podem abrir espaço para a competição e a obsessão, uma vez que existe sempre algo que parece precisar de ser corrigido.
A psiquiatra Kaitlin Slaven, do Eating Recovery Center, reforça que estudos apontam para uma relação preocupante entre comparação e perceção corporal: quanto mais uma pessoa se compara com os outros, maior tende a ser a insatisfação com o próprio corpo.

Para Dani Castro, terapeuta da Equip Health, especializada em perturbações alimentares, imagem corporal, ansiedade e depressão, as redes sociais podem transformar inseguranças normais em preocupações mais profundas, ao transmitir a ideia de que o corpo é um projeto que deve estar constantemente a ser aperfeiçoado.
Quando deixa de ser autocuidado?
A preocupação com a aparência torna-se particularmente preocupante quando começa a ocupar grande parte do pensamento diário e interfere com outras áreas da vida.

Passar demasiado tempo a pensar no corpo, sentir ansiedade em função do peso ou da imagem, alterar constantemente a alimentação, treinar de forma compulsiva ou ter mudanças de humor relacionadas com a aparência são alguns dos sinais a que os especialistas recomendam estar atento.
A chamada dismorfia corporal, ou transtorno dismórfico corporal, caracteriza-se por uma perceção distorcida de determinadas características físicas, levando a uma preocupação excessiva e, em alguns casos, a comportamentos repetitivos ou à procura constante de alterações estéticas.

Abrishami alerta ainda para a forma como alguns conteúdos nas redes sociais podem normalizar comportamentos e procedimentos que anteriormente seriam considerados extremos, incluindo gastos elevados com intervenções estéticas.
Redes sociais com mais equilíbrio
Consumir conteúdos de moda, beleza ou fitness não significa, por si só, colocar em risco a saúde mental. O problema surge quando os padrões apresentados são encarados como metas obrigatórias ou como medida do próprio valor.

Filtrar os conteúdos consumidos, deixar de seguir contas que provocam ansiedade ou comparação excessiva e lembrar que muitas imagens são produzidas, editadas ou representam realidades pouco comuns são algumas formas de estabelecer uma relação mais saudável com as redes sociais.
Mais do que procurar um corpo perfeito, os especialistas defendem uma relação equilibrada com a própria imagem, sem transformar a aparência numa fonte permanente de pressão.