Nádia Costa interrompe o silêncio da pobreza menstrual em livro

Gracieth Issenguele
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A ginecologista-obstetra Dra. Nádia Costa prepara-se para lançar o seu primeiro livro, intitulado “A Lua que Sangra em Silêncio – Histórias e a Dignidade que Falta, no dia 3 de novembro, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda. Com edição da Ésobrenós Editora, o livro propõe uma reflexão sobre histórias humanas, dignidade e realidades sociais que continuam a merecer maior atenção, com particular enfoque na vulnerabilidade menstrual.

Em entrevista exclusiva à Revista Chocolate Lifestyle, a autora explicou que a publicação representa uma oportunidade de dar visibilidade a experiências frequentemente silenciadas. «Sinto-me ouvida e com esperança, com sentimento de dever cumprido por poder trazer essa realidade que quase ninguém vê, a vulnerabilidade menstrual», afirmou, acrescentando que a obra está associada ao seu projecto social.

A escolha do título reflecte, segundo a médica, a realidade de muitas mulheres que enfrentam dificuldades durante o período menstrual e que nem sempre encontram condições para falar abertamente sobre o assunto. «Eu escolhi este título porque retrata a escuridão que muitas mulheres vivem durante o período menstrual, sem possibilidade de negociar o silêncio, por não saber onde e como falar», explicou.

Com esta primeira publicação, Dra. Nádia Costa espera despertar a consciência dos leitores para a pobreza menstrual, incentivando uma abordagem mais humana e responsável sobre o tema. A autora defende que esta realidade deve ser entendida como uma questão de saúde pública, que exige o envolvimento de toda a sociedade.

«Espero que possam guardar essas páginas no coração e ajudar a mudar a lua destas mulheres e meninas», declarou, apelando à participação colectiva na construção de uma realidade mais digna para mulheres e meninas afectadas pela pobreza menstrual.

A cerimónia de lançamento contará com a apresentação de Alusapo e terá a Dra. Sweine Coelho como mestre de cerimónias. Com A Lua que Sangra em Silêncio – Histórias e a Dignidade que Falta, a médica estreia-se na literatura com uma obra que procura transformar experiências invisibilizadas em reflexão, consciência social e incentivo à mudança.

Este compromisso com os direitos reprodutivos, o acesso à saúde e a dignidade feminina alinha-se aos debates contemporâneos sobre autonomia corporal e planeamento familiar, tal como abordámos ao noticiar o avanço em que cientistas testam pílula contraceptiva masculina sem hormonas tomada 30 minutos antes da relação sexual, reafirmando a importância de partilhar responsabilidades e quebrar tabus em torno da saúde sexual.

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