50 anos depois: Documentário revive histórico julgamento de mercenários estrangeiros em Angola

Gracieth Issenguele
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O Memorial Agostinho Neto, em Luanda, acolheu, na segunda-feira, 8 de junho, a exibição do documentário do realizador italiano Carlo Lizzani sobre o julgamento dos mercenários estrangeiros envolvidos na guerra em Angola, um dos episódios mais marcantes da história contemporânea do país.

A sessão, realizada cinco décadas após os acontecimentos retratados, reuniu personalidades ligadas à preservação da memória histórica, entre elas a historiadora norte-americana Marissa Morman, a fotógrafa e jornalista Augusta Conchiglia, bem como alguns dos participantes do julgamento que ainda se encontram vivos. A iniciativa serviu para revisitar um momento decisivo na afirmação da soberania angolana, através de imagens e testemunhos que continuam a despertar interesse académico e público.

De acordo com o Jornal de Angola Online, o julgamento teve como arguidos 13 mercenários estrangeiros — nove britânicos, três norte-americanos e um irlandês acusados de crimes contra a paz e de violação da soberania nacional. Os acusados foram levados a tribunal por alegado envolvimento em acções militares durante o período conturbado que se seguiu à independência de Angola.

O processo decorreu entre os dias 11 e 16 de junho de 1976, enquanto a sentença foi anunciada a 28 do mesmo mês. Entre os condenados encontrava-se Costa Georgiou, conhecido como “Callan”, apontado como líder do grupo. Ele e mais três mercenários receberam a pena de morte por fuzilamento. Os restantes nove foram condenados a penas de prisão que variavam entre 16 e 30 anos.

A exibição do documentário surge como um exercício de memória colectiva e reflexão histórica, permitindo às novas gerações conhecer um capítulo que marcou profundamente a trajectória política e judicial do país. Cinquenta anos depois, o julgamento dos mercenários continua a ser recordado como um símbolo da defesa da independência e da integridade territorial de Angola.

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