“A busca pela visibilidade digital está a tornar ridículas pessoas que deveriam ser sérias” – Benvindo Magalhães, apresentador de televisão

Suzana André
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Numa entrevista, à revista Chocolate, marcada pela autenticidade e profundidade, Benvindo Magalhães

revela-se muito para além da figura pública que o público conhece da televisão e dos palcos. Entre memórias pessoais, desafios superados e uma visão clara sobre o poder da comunicação, o apresentador partilha um percurso construído com resiliência, propósito e responsabilidade.

Ao longo da entrevista, fica evidente que comunicar, para si, vai muito além de entreter: é uma missão que passa por influenciar, orientar e dar voz a quem muitas vezes não a tem. Com um olhar atento sobre a nova geração, Benvindo reflecte ainda sobre os erros mais comuns na forma de comunicar, a importância da autenticidade e o papel que assume enquanto mentor de jovens talentos, num caminho onde a palavra continua a ser a sua principal ferramenta de impacto.

RC- Quem é Benvindo Magalhães fora das câmaras e dos palcos?

BV- Sou um homem simples, com grandes responsabilidades. Pai, acima de tudo, observador por natureza e grato pela vida que construo todos os dias.

RC- Em que momento percebeu que a comunicação seria o seu principal instrumento de impacto?

BV- Em 1997, na Alemanha, quando notei que as minhas palavras chegavam mais longe do que os meus passos.

RC- Que experiências marcaram decisivamente o seu percurso até à televisão?

BV- As dificuldades sentidas com a perda dos meus pais ainda na adolescência. Ensinaram-me a falar com verdade e a ouvir com respeito.

RC- O que representa para si o papel de apresentador de televisão actualmente?

BV- Uma missão. Não é apenas entreter, é influenciar com responsabilidade, instruir, orientar e acender a esperança com uma palavra amiga para quem, em momentos difíceis, só tem uma televisão como companhia.

RC- Como descreve a sua evolução enquanto comunicador diante das câmaras?

BV- Nunca procurei impressionar. Sempre trabalhei como conector e ombro amigo. Talvez por isso tenha construído uma relação sólida com milhares de pessoas da indústria do entretenimento.

RC- Houve algum momento em directo que tenha redefinido a sua forma de trabalhar?

BV- Sim. Um erro em directo ensinou-me que a autenticidade vale mais do que a perfeição. Já fui mordido por um cão durante um programa… e, a partir daí, tudo mudou.

RC- Defende que comunicar bem pode transformar vidas. Como traduz essa ideia na prática?

BV- Falo para tocar pessoas, não apenas para preencher tempo. Um bom comunicador é um facilitador. Se as crianças não te entendem, tal como os adultos, falhaste na missão.

RC- Quais são os erros mais comuns que observa nos jovens ao comunicarem?

BV- Falta de autenticidade e excesso de pressa. A busca pela visibilidade digital está a tornar ridículas pessoas que deveriam ser sérias.

RC- Que técnicas considera essenciais para comunicar com confiança e autenticidade?

BV- Autoconhecimento e autocontrolo, preparação académica e falar com intenção, aplicando o conhecimento adquirido.

RC- O que o motivou a orientar jovens na comunicação?

BV- O silêncio dos bons dá voz aos maus. Muitos, sem experiência, enganam jovens com falsas promessas. Vejo nos jovens o futuro e sinto a responsabilidade de lapidar esse potencial com honestidade.

RC- Que transformação mais o surpreende nos jovens com quem trabalha?

BV- Quando descobrem a própria voz e passam a acreditar nela.

RC- Na sua opinião, o que falta à nova geração para comunicar com mais impacto?

BV- Profundidade. Informação já têm, mas falta reflexão.

RC- Como prepara uma palestra para garantir impacto?

BV- Penso menos no que vou dizer e mais no que quero que as pessoas sintam. Baseio-me nas minhas experiências, destacando erros a evitar e caminhos a seguir.

RC- Já houve alguma história partilhada numa palestra que o tenha marcado?

BV- Sim. Alguém me disse que mudou de vida após ouvir uma mensagem minha no “Café do Empreendedor” e hoje é um empresário realizado.

RC- Que responsabilidade sente ao influenciar mentalidades?

BV- Total. Cada palavra pode construir ou destruir. Um microfone é uma ferramenta poderosa que exige responsabilidade.

RC- Como surgiu o “Show da Banda”?

BV- Nasceu da vontade de dar palco ao que realmente importa nas artes e no entretenimento, valorizando talentos escondidos, sobretudo os que vêm das ruas.

RC- Como contribui este projecto para o talento local?

BV- Dá visibilidade e dignidade a quem apenas precisa de uma oportunidade.

RC- O que diferencia este formato de outros conteúdos?

BV- É genuíno e emotivo. Não fabricamos talento, descobrimos. A abordagem humanizada torna-o único.

RC- Qual foi o maior desafio da sua carreira?

BV- Ser desacreditado. Superei trabalhando em silêncio e deixando os resultados falarem.

RC- Já duvidou de si próprio?

BV- Sim, mas nunca permaneci na dúvida. Transformei-a em combustível.

RC- Que legado pretende deixar?

BV- Formar pessoas conscientes, capazes de pensar, falar e agir com responsabilidade.

RC- Que novos projectos ambiciona?

BV-  Projectos que unem comunicação, restauração, formação e impacto social.

RC- Como imagina o futuro da comunicação em Angola?

BV- Mais digital, mais rápido… possivelmente menos responsável, mas espero que também mais humano.

RC- Que conselho daria ao seu “eu” do passado?

BV- Acredita mais cedo e teme menos.

RC- Que mensagem deixa aos jovens?

BV- Sejam tementes a Deus e autênticos. O mundo já tem cópias suficientes.

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